A respeito da "onda de violência" registrada nas escola estaduais nos últimos dias, registre-se que não se trata de uma "onda"; há muito tempo isso já ocorre. Na maioria dos casos, nem boletim de ocorrência é feito, porque nas escolas municipais, diferentemente das estaduais, as direções exercem muita pressão sobre os professores para que não registrem as agressões físicas e verbais a que são submetidos, dada a necessidade que a escola tem de manter a imagem de que o ensino municipal é uma "maravilha" (política). Você que me lê - pode sair perguntando pelas escolas municipais de nossa região e em todas vai escutar o mesmo discurso: "aqui não, está tudo uma maravilha". Depois pergunte aos professores, em particular, garantindo o anonimato de sua opinião. Haverá alguns poucos que concordarão com a tese da "maravilha" porque exercem cargas de confiança (coordenadores, diretores, coordenadores pedagógicos); gente que não entra na sala de aula faz tempo!
Mas a culpa não está na escola, está em quem macro-organiza a educação em nosso Estado. Enquanto não houver repetência, expulsão, APM atuante, só tende a piorar e os elementos que antes eram internos da Febem agora são alunos, são "alunos regularmente matriculados", e o que é "melhor": a gente tem certeza que eles vão passar de ano, direto, no final do período. Quando eu era criança, o que eu mais ouvia na sala de aula era que o professor separaria "os batatas podres" para não atrapalhar quem queria aprender; e funcionava. Da minha turma do ginásio, público, aliás, saíram médicos, empresários, ótimos cidadãos; com o conceito de agora, provavelmente no futuro alguns desses elementos que agridem professores ganharão bolsas do Pro-Uni e serão os professores de nossos netos!!! Deus nos proteja, só ele mesmo!!!
Emerson Ribeiro de Carvalho, profissional de Logística, casado com professora e, principalmente, pai - Bariri