No palco, na praça, na rua, na televisão... faz tempo que a arte do circo deixou de ser restrita àquela grande e bastante conhecida instalação de lona, que atraía o público para grandes espetáculos com artistas e animais. Com a onda de defesa ambiental dos últimos anos, que movimentou uma rede de proteção aos animais em todo o mundo, o antigo picadeiro clássico de apresentações acabou sendo condenado por milhares de pessoas, que não toleravam mais as agressões aos animais.
Mas o movimento do circo, hoje, está bem longe deste antigo e condenado modelo. Malabaristas, equilibristas e palhaços aproveitam a data comemorativa do Dia do Circo, hoje, dia 27 de março, para mostrar a importância dessa arte para a formação humana e artística.
Segundo o malabarista Artur Faleiros, gestor da frente de artes corporais e responsável pelo planejamento e articulação de ações políticas do Enxame Coletivo, a arte circense tende a se integrar com outras artes, como teatro, dança e música. Além disso, cada vez mais os artistas buscam mais técnicas e mais apelos para conquistar e formar públicos.
“As apresentações circenses acabam sendo trabalhadas não só no picadeiro com os tradicionais espetáculos, mas cada vez mais misto em outros espaços. Hoje, há inserções circenses em trabalhos de rua, em festivais de danças, intervenções que ocupam espaços dentro de outras atividades culturais”, ressalta.
O circo também pode contribuir com trabalhos envolvendo autoestima. E, para não deixar o circo morrer, a escola é o principal instrumento de ensino e aprendizagem dessa arte, que se mostra como opção para quebrar a monotonia e a rotina da sala de aula. Para o malabarista Artur, o circo contribui para formação em diversas áreas curriculares. “O circo, com esse caráter aglutinador de várias linguagens, abre portas para uma formação em vários aspectos”, indica.
Um exemplo de trabalho sério que mistura circo e educação é o do palhaço Paulo Sergio Rodrigues, o Rogerito, que desenvolve atividades com crianças e adolescentes na Casa do Garoto, em Bauru, e também em escolas particulares. Entre as modalidades ensinadas por ele, estão os malabares, equilibrismo e números aéreos (trapézio, tecido e lira). “As crianças se espelham nessa arte, se identificam”, ressalta Rogerito.
Para o palhaço Aleksander Rodrigues de Oliveira Soares, o Faísca, a aprendizagem colaborativa ganha potencial com a arte circense. “Ela ensina muito da convivência social, do trabalho em grupo. Desenvolve a disciplina, o respeito, a confiança.”
O palhaço
Criticar, divertir, educar. Esses são alguns dos papéis do palhaço na sociedade contemporânea. “Através dessa figura, é possível fugir do estresse, se divertir e muitas vezes refletir sobre críticas intimistas que os palhaços costumam trabalhar”, ressalta Artur.
Na visão de Faísca, o palhaço começou a assumir outros papéis depois de abandonar o circo tradicional. “Antigamente, as pessoas iam ao circo não somente para ver os artistas, mas para assistir aos espetáculos com os animais. Infelizmente, tínhamos alguns circos que agrediam os animais. Isso causou uma queda enorme no movimento do circo e muitos artistas começaram a deixá-lo”, enfatizou.
Dessa maneira, o palhaço passou, assim como a arte circense como um todo, a se integrar a outras linguagens. “Hoje temos palhaço de rua, temos artistas em apresentações em teatros, palhaços em shows abertos, na TV, nas praças públicas”, frisou Faísca.
Nessa perspectiva, o clown entrou em cena. “O clown trabalha mais o improviso, a cena, o jogo do palhaço. Já o palhaço propriamente dito trabalha mais com cenas montadas, num formato mais teatral”, explica Artur Faleiros.