Santiago - O papa Bento XVI desembarcou ontem em Cuba para uma visita de três dias destinada a salientar a melhora nas relações entre a Igreja Católica e o regime comunista da ilha.
Ao desembarcar em Santiago de Cuba (leste), o Papa foi calorosamente cumprimentado pelo presidente Raúl Castro, que vestia terno escuro e estava acompanhado pela Guarda de Honra completa. Houve uma salva de tiros de canhão.
Passados 14 anos da histórica visita do papa João Paulo II a Cuba, Bento XVI rezará missas em Santiago e Havana antes de regressar ao Vaticano, amanhã. Ele chegou a Cuba após visitar o México.
Após décadas de hostilidade depois da Revolução Cubana de 1959, as relações entre a Igreja e o governo cubano estão numa fase de distensão, num momento em que o governo implanta reformas que reduzem o controle do Estado sobre o cotidiano do país.
Raúl tem usado a Igreja como interlocutora em questões como presos políticos e dissidentes. O Papa deve tentar consolidar essa posição e oferecer mais ajuda da Igreja para que uma eventual transição preserve programas sociais. A Igreja tem estimulado as reformas econômicas e políticas em Cuba, e aconselhado que elas aconteçam com a maior rapidez possível.
Em um breve pronunciamento antes de entrar no “papamóvel” que o levaria à praça da Revolução, cenário da missa campal, Bento XVI evocou a visita pontifícia anterior, dizendo que ela deixou “uma marca indelével nas almas de todos os cubanos”, inclusive nos que não têm religião.
Segundo o Papa, de 84 anos, a passagem de seu antecessor marcou uma “nova fase” para as relações entre Igreja e Estado, “num espírito de cooperação e confiança, mesmo nas muitas áreas em que maiores progressos poderiam e deveriam ser feitos, especialmente com relação à indispensável contribuição pública que a religião é chamada a fazer na vida da sociedade”.
Em seu discurso de boas vindas, Raúl fez uma firme abordagem política sobre a injustiça do embargo norte-americano a Cuba, e sobre a “tenaz resistência” da ilha em preservar sua independência e “seguir seu próprio caminho”.