Beirute - A Síria aceitou um cessar-fogo e um plano de paz preparado pelo enviado especial da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan, disse um porta-voz dele ontem, enquanto tropas sírias adentraram no Líbano atrás de rebeldes que se refugiaram no país.
Annan admitiu que terá uma “longa e difícil tarefa” para acabar com a luta, enquanto grupos rebeldes reunidos na Turquia discutiram como se unificar e receber mais ajuda estrangeira, após um ano de revolta contra o presidente Bashar al-Assad.
Em visita a Pequim, Annan disse ao primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, que a cooperação global envolvendo a China e outros países é a única forma de resolver o conflito, cujas dimensões sectárias geram temores de desestabilização em todo o Oriente Médio.
“Indico que recebi uma resposta do governo sírio e a tornarei pública hoje (ontem), a qual é positiva, e esperamos trabalhar com eles para traduzir isso em ação”, disse Annan a jornalistas após reunião com Wen.
Um porta-voz de Annan depois confirmou que Damasco aceitou o plano de seis itens, que segundo Annan abrange “discussões políticas, a retirada de armas pesadas e tropas de áreas populacionais, assistência humanitária sendo autorizada de forma desimpedida, libertação de prisioneiros, liberdade de movimentos e acesso para jornalistas entrarem e saírem”.
Hillary ala com oposição
A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pediu ontem que a oposição síria apresente um compromisso claro para incluir e proteger os direitos de todos os sírios durante uma transição política após uma hipotética saída do ditador Bashar al Assad.
Sobre a aceitação pelo regime sírio do plano proposto pelo enviado especial da ONU (Organização das Nações Unidas), Kofi Annan, Clinton afirmou que Assad deve responder às medidas com “ações imediatas”, como um cessar fogo e a entrada de ajuda humanitária nas regiões mais atingidas pelo conflito com a oposição.
A secretária espera que o ditador mantenha a promessa de cumprir as seis medidas, mas advertiu à organização que Assad costuma prometer mais que cumprir.
Mais cedo, a porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland, afirmou que os Estados Unidos consideram a aprovação do plano “um passo importante”, mas pediu medidas imediatas ao regime sírio para seu cumprimento.
Presidente visita Homs
O presidente sírio, Bashar al-Assad, visitou ontem o bairro de Baba Amr, antigo reduto rebelde na cidade de Homs, onde conversou com simpatizantes nas ruas devastadas por meses de bombardeios e tiroteios.