Regional

Câmara avalia punição após briga

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Itatinga – A presidência da Câmara de Itatinga (12

quilômetros de Bauru) vai deixar que a Comissão de Ética da Casa decida sobre uma eventual punição aos vereadores envolvidos na confusão da sessão de anteontem. Na ocasião, um parlamentar teria tentado agredir um colega de bancada. Um terceiro vereador tentou impedir e também foi agredido. Os ânimos só foram contidos após a intervenção de policiais militares que estavam no plenário.

 

Segundo a assessoria de imprensa do Legislativo, durante a sessão, foram lidas duas representações. Em uma delas, o vereador Júlio Aparecido Fogaça (PT) pedia abertura de Comissão Especial de Inquérito (CEI) contra o prefeito Aílton Fernandes Faria (PSDB) por supostos gastos excessivos com adiantamento de viagens. 

 

A segunda representação, de autoria de um munícipe, pedia a investigação de Fogaça por supostas irregularidades em notas fiscais de viagens emitidas durante os anos de 2

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e 2

11, período em que ele exerceu a função de presidente da Câmara. Os dois documentos foram colocados em votação e rejeitados pelo placar de 4 a 3.

 

Na sequência, o presidente José Rosa dos Santos, o “Zelão” (PSDB), abriu espaço para que os parlamentares utilizassem a tribuna livre por até quinze minutos. O primeiro a falar foi Fogaça, seguido pelos vereadores José Oliveira Pereira, o Oliveira (PT), e Antônio dos Santos Barbosa, o “Quati” (PP).

 

Ainda de acordo com a assessoria de imprensa, durante a fala de “Quati”, algumas pessoas que estavam na galeria da Casa passaram a gritar palavras de apoio a ele, tumultuando a reunião. Alegando questão de ordem, o presidente optou por suspender a sessão.

 

Em seguida, imagens do circuito interno de segurança do Legislativo mostram Fogaça se levantando da sua cadeira e indo em direção a “Quati”. Após breve conversa, o parlamentar pepista partiu para cima do parlamentar do PT. Marcos Rogério Feliciano, o “Marquinhos” (PMDB), tentou evitar a agressão e acabou recebendo socos.

 

As imagens mostram que “Quati” chegou a se atracar com Fogaça, mas não conseguiu agredi-lo. Policiais militares que estavam na Câmara tiveram trabalho para conter o parlamentar e populares que tentaram invadir o plenário. Viaturas de outras cidades também ajudaram a garantir a segurança no local ao final da sessão.

 

 

 

Agressão

 

O vereador Júlio Fogaça (PT) alega que foi conversar com o colega para reclamar de supostas ofensas proferidas contra ele na tribuna e diz que em momento algum agrediu “Quati”. “A única coisa que eu falei para ele é que ele estava agindo ali a mando do prefeito, para proteger o prefeito. Aí ele partiu para cima de mim. No vídeo, você pode ver que eu apenas coloco a mão e tento me afastar para não haver o entrevero”, declara.

 

Diante da rejeição da CEI contra o prefeito, ele conta que vai remeter o caso ao Ministério Público. “De acordo com nosso papel de vereador, queremos fiscalizar os atos do Executivo. Estamos imbuídos de uma vontade, que representa a vontade da população, de ter conhecimento dos comprovantes de gastos que o prefeito, a esposa dele, o diretor administrativo e o ex-presidente da Caixa de Previdência dos Servidores realizaram com adiantamentos de viagens”.

 

Procurado pela reportagem, “Quati” informou que, por orientação de advogados, não iria se manifestar sobre o assunto. Já o presidente da Câmara informou que lamenta o ocorrido e pediu desculpas à população de Itatinga. “Nós estamos reunindo todas as provas concretas para depois tomarmos as decisões cabíveis”, afirmou. 

 

“Nós vamos instaurar sim processo administrativo na Comissão de Ética porque os vereadores têm que dar exemplo para a população. Nós somos representantes do povo. Se nós não dermos o exemplo, estaremos incentivando as coisas mal feitas”. A prefeitura de Itatinga também foi procurada e o diretor administrativo Marcelo Oliveira comprometeu-se a enviar nota ao JC sobre a posição do Executivo. Porém, até o fechamento desta edição, ele não havia encaminhado o e-mail. A Polícia Civil disse que a ocorrência será investigada pela Delegacia Seccional de Polícia de Botucatu.

 

Júlio Aparecido Fogaça foi eleito vereador pelo PSDB, mas trocou de partido durante o mandato. Em outubro do ano passado, o PSDB de Itatinga entrou com ação contra ele e o PT local na Justiça Eleitoral pedindo sua vaga na Casa por infidelidade partidária, mas o processo ainda não foi julgado.

 

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