Bagdá - Chanceleres árabes defenderam ontem a rápida implementação de um plano de paz apoiado pela ONU para tentar resolver a crise na Síria, e que foi aceito nesta semana pelo presidente Bashar al Assad.
Reunidos em Bagdá para uma cúpula que acontece hoje, os ministros da Liga Árabe manifestaram seu aval ao plano concebido por Kofi Annan, enviado especial da ONU e da Liga para a questão síria. O plano prevê um cessar-fogo e um diálogo político, mas sem impor a renúncia de Assad como pré-condição.
A Síria aceitou o plano, mas rejeitou ontem qualquer iniciativa a ser adotada pela cúpula, dizendo que só irá lidar com Estados árabes individualmente, já que a Liga suspendeu a Síria devido à violência interna que dura mais de um ano.
“Não podemos ser imparciais nessa questão da violência, dos assassinatos e do derramamento de sangue cotidianos”, disse o chanceler iraquiano, Hoshiyar Zebari, ao final do segundo dia de deliberações.
“A resolução internacional que a Síria aprovou, acreditamos que seja um passo positivo e construtivo (...). Mas ela precisa de implementação”, disse o ministro, para quem a proposta é a “última chance” de resolver o conflito.
Divididos sobre como lidar com a crise, os Estados árabes parecem ter recuado da sua proposta inicial para que Assad se afastasse do poder durante as negociações com a oposição.
Segundo Zebari, a Liga Árabe não aceitará nenhuma intervenção estrangeira na Síria.
Enquanto potências sunitas como Arábia Saudita e Catar tentam isolar a Síria, outras nações árabes, como Argélia, Egito e Iraque, pedem mais cautela, temendo que a derrubada de Assad cause mais violência étnica, inclusive além das fronteiras sírias.