Aceituno Jr. |
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Gabriel Ruiz Pelegrina: “Estou com 9 anos e vou morrer magoado com o destino do Núcleo”
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A mudança do acervo do Núcleo de Documentação e Pesquisa Histórica (Nuphis) “Gabriel Ruiz Pelegrina”, alocado na Universidade do Sagrado Coração (USC), tem sido alvo de críticas, dúvidas, indignação e lamentação dos interessados na preservação histórica e de patrimônio da cidade e região. Com acervo riquíssimo, o Núcleo é tido como campo de pesquisa científica que sempre movimentou a comunidade acadêmica. Quem já passou pela USC, sobretudo por cursos como história, geografia ou comunicação, deve lembrar o quanto o Núcleo foi importante para sua formação.
Contudo, apesar do movimento de transferência dos materiais, o coordenador geral de extensão, Luiz Antonio Fernandes Fonseca, alega que a universidade quer manter a tradição de pesquisa alcançada pelo Nuphis. Para isso, vai reavaliar a retirada de alguns documentos, como o acervo de jornais.
“Toda documentação que tem duplicidade vai pra Prefeitura. O que não tem duplicidade, ainda está conosco e sua saída será reavaliada, até porque ainda há uma série de considerações neste processo a serem feitas”, indicou Luiz.
“O despacho de alguns materiais que, sem dúvida são muito importantes, serão negociados, como os volumes de jornais da região. Estamos negociando para que esse material fique. Temos jornais históricos, que são fontes para estudantes de história e comunicação”, informou o coordenador. Conforme o JC tem divulgado, a USC precisa de espaço para novos e complexos laboratórios de cursos. E o prédio do Nuphis, por ser térreo e espaçoso, cai como uma luva para esse propósito.
Apesar disso, Luiz reforça que a intenção não é extinguir o espaço, e sim trazê-lo para dentro da universidade. “Este acervo inclui trajetória de historiadores, como a do ‘ícone’ Gabriel Pelegrina, cartas antigas e documentos que remetem ao passado que continuarão conosco. O objetivo é que todo esse material continue sendo fonte de consulta a estudantes e outros interessados.”
Pelegrina lamenta as alterações
O historiador Gabriel Ruiz Pelegrina, que tem seu nome “carregado” pelo Nuphis, demostrou aborrecimento com a notícia de transferência de materiais em entrevista ao JC. Aborrecimento que também demostra paixão pela entidade, que ajudou a montar com documentos e objetos considerados verdadeiras relíquias.
Hoje, com 9
anos, o historiador recorda os primórdios do Nuphis, que tem 28 anos de existência. “Quando tudo começou, fui convidado pela irmã Elvira Milani, em 1983, para montar o Núcleo, que foi fundado no dia 23 de setembro de 1983”, lembra. “Eu tinha um enorme acervo em casa e comecei a levar para o Nuphis”, afirma. “Estou com 9
anos e vou morrer magoado com o destino do Núcleo. É uma pena, porque Bauru está abrindo mão de verdadeiras relíquias”, lamentou o pesquisador.
Gabriel também lamenta que os espaços históricos da cidade estejam sendo perdidos, em sua opinião. “Bauru tem uma história muito rica, que precisa ser preservada. O que tenho visto é o fechamento de locais importantes para o município, como aconteceu com os únicos clubes da cidade – Luso, BTC, BAC. Acredito que falte mais interesse da Prefeitura em valorizar o que é patrimônio da cidade”, ressaltou o historiador.
Pelegrina ainda expõe a importância de preservar a história. “O Núcleo da USC sempre teve esse caráter de formação, de pesquisa. A valorização disso tudo depende também da juventude, que hoje não dá muita importância, é muito influenciada pela mídia”, criticou.
