Bagdá - O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, disse que o presidente da Síria, Bashar al-Assad, deve transformar a sua aceitação do plano de paz de seis pontos em ação a fim de desviar o seu país de uma “trajetória perigosa” com riscos para toda a região. “É essencial que o presidente Assad coloque aqueles compromissos em vigor imediatamente. O mundo está esperando que os compromissos sejam traduzidos em ação. A questão chave aqui é a implementação, não há tempo a perder”, afirmou Ban em Cúpula da Liga Árabe em Bagdá, ontem.
Potências apoiam rebeldes
O ditador sírio, Bashar Assad, afirmou ontem que seu país aceitou o plano de saída da crise proposta pelo emissário Kofi Annan, em uma mensagem dirigida à cúpula de países emergentes dos Brics, realizada em Nova Déli, divulgada pela agência oficial Sana. “A Síria informou a Annan que aceitou o plano apresentado, apesar de fazer observações sobre o conteúdo”, afirmou Assad, sem dar mais detalhes.
“Dentro de sua estratégia destinada a pôr fim à crise, a Síria aceitou a missão de Kofi Annan, emissário especial da ONU, e assegura que não deixará de esforçar-se para que a missão tenha êxito”, acrescentou.
Assad, disse ontem que a Síria não poupará esforços para garantir o sucesso da missão de paz do enviado internacional Kofi Annan, mas advertiu que ela não funcionará sem o fim do financiamento estrangeiro e do armamento dos rebeldes que se opõem a ele.
Assad está sob forte pressão internacional para que chame suas tropas de volta às bases, após um ano de revolta popular contra o seu governo. O confronto entre os soldados e rebeldes deixou mais 22 mortos na quinta-feira, seis deles soldados.
A agência de notícias estatal Sana noticiou que Assad enviou uma carta aos líderes dos Brics, grupo de potências emergentes que inclui o Brasil e a Rússia -aliada da Síria-, na qual diz que “os países que apoiam os grupos armados com dinheiro e armas precisam ser convencidos a parar com isso imediatamente”.
Ao mesmo tempo, a Grã-Bretanha anunciou que está dobrando a assistência não militar aos opositores de Assad e ampliando seu escopo a equipamentos, o que possivelmente incluirá telefones seguros para ajudar os ativistas a se comunicarem entre si com mais facilidade sem temer grampos e ataques.
A assistência, no valor de 8
mil dólares, “inclui um acordo em princípio para apoio prático não letal dentro da Síria”, disse o ministro das Relações Exteriores britânico, William Hague.
Os líderes árabes reunidos em uma cúpula em Bagdá endossaram o plano de paz apresentado por Annan, o enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Liga Árabe à Síria, e pediram que ele seja implementado “imediatamente e por completo”.
O plano de seis pontos pede o cessar-fogo, a retirada dos armamentos pesados e das tropas dos centros urbanos, assistência humanitária, libertação de prisioneiros e livre acesso para jornalistas. Os líderes da Liga Árabe derrubaram sem alarde uma exigência anterior para que Assad renunciasse à presidência. O plano de Annan, endossado pelo Conselho de Segurança da ONU, não exige isso, diferentemente de um plano anterior que foi vetado pela Rússia e pela China.
Observações de Assad são decepcionantes, dizem EUA
Washington - O Departamento de Estado americano qualificou como “decepcionantes” as observações do ditador da Síria, Bashar al Assad, sobre o plano de paz proposto pela ONU (Organização das Nações Unidas), em comunicado divulgado ontem. “Não é surpreendente, mas é desalentador e decepcionante”, afirmou o porta-voz do órgão americano, Mark Toner, que voltou a pedir o fim imediato da violência no país árabe.
Confrontos
Apesar da disposição do regime sírio em aplicar o plano de paz, pelo menos 43 pessoas morreram no país em confrontos entre as forças de segurança de Assad e opositores, de acordo com o grupo opositor Comitês de Coordenação Local. Segundo o grupo, dez pessoas morreram nas localidades de Duma e Harasta, nas proximidades da capital Damasco, dez em Homs, na região central e dez em Idlib, no norte.