Internacional

Síria deve cessar ataques antes de diálogo

Reuters
| Tempo de leitura: 3 min

Beirute - A artilharia síria atacou áreas da cidade de Homs ontem e pelo menos cinco pessoas foram mortas em confrontos pelo país, afirmaram ativistas da oposição, à medida que o enviado internacional Kofi Annan insistiu para que o presidente Bashar al-Assad ordene primeiro que suas tropas parem de atirar.

 

“O prazo limite é agora”, disse o porta-voz de Annan, Ahmad Fawzi, em Genebra. “Nós esperamos que ele implemente o plano imediatamente.”

 

Eliminando qualquer ambiguidade sobre os termos do cessar-fogo do plano de paz de seis pontos que Assad disse ter aceitado, Fawzi disse que cabia aos militares sírios agirem primeiro e mostrar boa-fé ao retirar tanques, armas pesadas e tropas das cidades.

 

O plano também exige que rebeldes com armamentos mais leves também parem de atirar. Mas o Exército Livre Sírio não disse se aceita as propostas de Annan e grupos de oposição não apoiaram explicitamente seu apelo para um diálogo com Assad.

 

O plano de Annan “pede especificamente para o governo retirar suas tropas e deixar de usar armas pesadas em centros povoados”, disse Fawzi. “A implicação muito clara aqui é que o governo deve parar primeiro e depois discutir o fim das hostilidades com o outro lado e com o mediador.”

 

Um ativista que se identificou como Abu Mohammed disse que Annan, que está agindo em nome da Organização das Nações Unidas e da Liga Árabe, “precisaria explicar para o Exército Livre Sírio o que eles querem, quais são as condições e isso dependerá da situação do momento”.

 

“Não vamos nos precipitar. Primeiro queremos ver que o banho de sangue terminar”, disse. Se o plano da ONU for adotado e monitores de paz mobilizados, a oposição poderá protestar abertamente e de forma pacífica como os egípcios fizeram durante sua revolta contra Hosni Mubarak, disse ele. “Mas isso não vai acontecer”.

 

 

 

Violência

 

Duas pessoas foram mortas por francoatiradores em Homs e em Idlib e duas outras foram assassinadas a tiros enquanto dirigiam em um local não informado, disseram ativistas.

 

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos reportou vários feridos em confronto entre tropas e rebeldes na província de Idlib.

 

Tropas de segurança e rebeldes lutaram durante a noite em Harasta e Arbin, cidades que ficam no norte da Síria. Rebeldes lançaram granadas impulsionadas por foguetes contra um prédio, matando um soldado, relataram ativistas.

 

A tensão aumentou no bairro de Barzeh, em Damasco, à medida que forças de segurança se mobilizaram e as conexões telefônicas caíram.

 

O Irã, mais forte aliado regional de Assad, disse que 12 cidadãos iranianos abduzidos “pelas forças da oposição síria” foram libertados, incluindo cinco engenheiros que trabalhavam para usina de energia síria em Homs, que foram sequestrados no final de dezembro.

 

A agência de notícias estatal iraniana Irna disse que “gangues armadas” sírias sequestraram dezenas de peregrinos do Irã.

 

 

 

Missão de observadores da ONU

 

Beirute - O departamento de Operações de Paz da ONU (Organização das Nações Unidas) preparou ontem os planos para uma eventual missão de observadores na Síria, esperada após o avanço das negociações entre o enviado especial da organização, Kofi Annan, e o regime do ditador Bashar al Assad. 

 

“O departamento prepara um plano de contingência para vários cenários e Annan deverá decidir como começará, pensando na resposta do governo sírio ao plano de seis pontos que apresentou e como responde sobre el terreno”, afirmou o porta-voz da organização, Eduardo de Buey. 

 

O representante não detalhou os planos para comprovar o fim da violência e disse que “não é possível que haja uma força de observação em um local onde a violência persiste”. A decisão sobre os planos está a cargo de Kofi Annan, quando forem aplicados. 

 

Fontes diplomáticas consultadas pela agência de notícias Efe estimam que o número de observadores da ONU que serão enviados à Síria seja entre 2

e 25

, provenientes de missões no Oriente Médio e na África. A ideia das reuniões é a prevenção para uma diminuição nos conflitos que permita a entrada dos diplomatas.  Uma das preocupações é a garantia da segurança desses enviados da ONU, já que, caso não haja missão de paz no país, as autoridades sírias seriam responsáveis pela escolta do grupo.

 

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