Tribuna do Leitor

Autoridades noiadas


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Enquanto há nóias das cracolândias que mudam de endereço de acordo com as circunstâncias, há também os de endereço certo, os drogaditos protegidos de pais, tios, avós... Moram bem, furtam o que podem, até de seus familiares, que os continuam protegendo. Veem-nos levando tudo da casa vizinha e fingem que não veem. Veem o produto dos furtos entrando de sacolada para dentro de casa e depois embarcando em bons carros e fingem que não veem. Toda a vizinhança é furtada.

Se a população pede um patrulhamento intensivo por perto da casa do nóia e das vítimas - todos os vizinhos - para mostrar que a PM faz a área, a pessoa é orientada para endereçar carta ao comandante do 4 BPM/I (como se para muita gente simples - essa gente simples, roubada e esquecida de todos: da polícia, do prefeito, do governador, da presidente - fosse fácil escrever uma carta).

Precisamos ter de escrever carta?! A pessoa se sente realmente abandonada e desiste. Uma polícia amiga o faria naturalmente, e, se não pode fazer muita coisa, pelo menos gera o tal efeito inibidor. O nóia, não vendo viatura nenhuma, fica cada vez mais ousado. Além do que há outros desdobramentos que a chamada de uma viatura pode não descortinar. Exemplo. O drogadito começa a aliciar um inocente garotinho, fica sempre em sua casa, dá uma de amigo da família etc, aí uma pessoa pede a presença da viatura por perto daquele endereço... A pessoa pode não entrar em detalhes pormenorizados do motivo da solicitação do patrulhamento com estacionamento por lá, mas como se vê, uma carta pode conter outras variáveis que pode até escapar à compreensão dos comandantes.

Penso que deveria existir a internação compulsória, um local adequado para eles, porque é melhor o nóia internado do que roubando a vizinhança e todo o bairro. Internado, que o poder público dê-lhe drogas à vontade, com pessoa adequada para ministrar as doses. E vai tentando desmamá-lo, como dizem. Quanto aos bens furtados, que uma lei obrigue os familiares a pagar as vítimas, até com penhora de propriedades e outros bens. Que uma lei obrigue os pais do nóia a pagar integralmente a cerca elétrica ou concertinas nos muros que fazem divisa com os vizinhos, ou seja lá qual for o sistema de prevenção adotado. Que uma lei crie um imposto aos donos de empresas de segurança que seria destinado à construção de cracolâncias municipais, estaduais, federais, visando tirar nóias da dependência química, já que são eles os beneficiados diretamente, que estão ficando cada vez mais ricos devido às ações noianas. Há muita gente sendo bem paga para pensar o problema, que aliás já extrapolou todos os limites que o cidadão de bem podia tolerar.

A população é que deve, além de seus bens furtados, arcar também com todas as outras despesas? Os políticos brasileiros estão noiados e não sabem o que fazem.

Julio Diogo

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