O acidente do domingo choca e, aliado a outros, leva à reflexão. Os três jovens que morreram vítima da imprudência no trânsito entraram para as tristes estáticas do município (leia mais abaixo). Somente na quadra 26 da avenida Duque de Caxias, este é o segundo acidente fatal envolvendo jovens em menos de dez dias.
No dia 23 de março, sexta, uma jovem de 18 anos também morreu na quadra 26 da avenida, após cair de uma picape que fugia de um patrulhamento policial após balada.
O acidente, que aconteceu na altura da Vila Mesquita, por vota das 3h30, feriu três garotas e matou Bruna Cristina Juliana de Oliveira.
Na ocasião, as ocupantes do veículo informaram que o condutor da picape Corsa, Raphael Braulino da Silva, 27 anos, as levariam até um posto de combustíveis.
O motorista, que não possuía Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e havia ingerido bebidas alcoólicas, foi detido em flagrante e responderá por homicídio doloso (com intenção de matar).
Na manhã deste domingo, os três jovens que morreram e os outros três que ficaram feridos também foram vítimas de uma “carona” imprudente.
Assim como no caso de Bruna, o acidente que envolveu os jovens na quadra 26 foi resultado de um conjunto de irregularidades no trânsito.
O condutor do Vectra, assim como Raphael, não possuía CNH, estaria alcoolizado e carregava os ocupantes do veículo de maneira irregular, com excesso de passageiros e sem cintos de segurança.
Ousadia fatal
De acordo com o tenente Michel Collis Prieto, do Pelotão de Trânsito da Polícia Militar de Bauru, cerca de 60% dos acidentes de trânsito registrados no município envolvem pessoas com idades entre 18 e 30 anos. “O excesso de velocidade, combinado com a ingestão de bebidas alcoólicas e a imprudência são os fatores que levam os jovens a morrer no trânsito em Bauru. Falta limite para os condutores”.
Para ele, associar este tipo de fatalidade às condições da via não seria uma maneira adequada de analisar o problema.
“A Duque tem semáforo, é sinalizada e possui fiscalização. O problema é a imprudência e ousadia dos motoristas”, completa.
Segundo Prieto, os horários entre as 4h e 6h da manhã, quando as festas noturnas terminam, são os mais propensos a este tipo de ocorrência.
Ainda de acordo com Prieto, o fato de o carro apresentar excesso agrava a situação. Ele ressalta, contudo, que a ausência de habilitação e a ingestão de bebidas foram os fatores principais em ambos os casos.
O tenente da Polícia Militar também informou que a polícia pretende intensificar ainda mais os trabalhos de fiscalização dos motoristas realizados em toda cidade.
Terra de ninguém
Pouco antes do acidente fatal no fim da madrugada de ontem, a equipe do JC flagrou imprudência de motoristas praticamente no mesmo ponto da avenida Duque de Caxias. Quatro carros pararam no semáforo e, assim que o sinal abriu, fizeram conversão proibida. Quase colidiram. Faltou pouco para um dos veículos subir na calçada.
Ao que tudo indica, os ocupantes - com parte do corpo para fora dos automóveis - combinavam detalhes da balada, que seguiria ainda madrugada adentro. Não é de hoje que moradores próximos à avenida comentam que a via torna-se “terra de ninguém” durante as madrugadas, especialmente entre a noite de quinta-feira e a madrugada de domingo. Para eles, inclusive, o volume de acidentes é baixo em relação aos desrespeitos às leis de trânsito.
Em 2012, colisões no trânsito bauruense já tiraram oito vidas
Entrando em seu quarto mês, 2012 já soma um rastro de mortes impressionante no trânsito bauruense.
Segundo levantamento extraoficial realizado pelo JC, somando as tragédias na quadra 26 da Duque de Caxias, já são oito pessoas que perderam a vida em colisões na área urbana.
O primeiro acidente ocorreu logo no dia 5 de janeiro. Na ocasião, o jovem Paulo César Aparecido da Silva Oliveira, de 22 anos, conduzia sua moto pela rua Quinze de Novembro quando colidiu violentamente contra um carro que trafegava pela rua Antônio Alves.
No dia 18 de fevereiro, uma motociclista de 25 anos também morreu após colisão com um carro. O acidente aconteceu na madrugada nas proximidades da Vila São Paulo. Segundo consta em boletim de ocorrência, a motociclista Tatiana Marcelina de Souza Tavares, não teria usado o acostamento para efetuar o cruzamento com uma rua de terra e acabou colhida pelo carro.
Na tarde deste mesmo dia, o impacto entre um Corsa e uma moto no cruzamento entre a Quinze de Novembro e Treze de Maio também matou o motociclista Aparecido Massanaro, 44 anos. Na ocasião, a Polícia Militar informou que o motorista do Corsa, de 20 anos, não possuía habilitação para dirigir.
No dia 22 de fevereiro, foi a família de Kairon Luiz Kenes, 19 anos, que chorou a perda precoce do jovem. Ele estava voltando para a casa, localizada na Vila Pacífico, por volta das 22h, após mais um dia de trabalho na academia de ginástica da família.
Na noite do acidente, Kairon dirigia sua moto, uma Honda Twister de cor prata, no sentido único da rua Wenceslau Braz, quando colidiu na altura da quadra 12 com um Ford Ecosport.
Traumatismo
No começo de março, outro motociclista envolvido em acidente com carro perdeu a vida; desta vez no Jardim Bela Vista. O agente penitenciário Geraldo Donizete Rios, 46 anos, não resistiu ao politraumatismo que sofreu e morreu no hospital.
Pedreiro, Fabiano tinha um plano traçado: construir casa para filhos
O condutor do Vectra, Fabiano Novaes dos Santos, trabalhava como pedreiro e tinha como meta construir uma casa para os quatro filhos, contaram familiares.
O mais velho tem 8 anos e o caçula ainda não completou um. Os outros dois 6 e 4 anos. Todos meninos.
Ontem à tarde, as crianças ainda não haviam sido informadas do acidente e aguardavam a mãe na casa avó materna, na Pousada da Esperança. Só ela revelaria a tragédia para os pequenos que conseguissem entender. Quando o Jornal da Cidade passou no velório, realizado no centro velatório São Vicente, na avenida Castelo Branco, ela estava de saída. Provavelmente cumpriria a difícil missão de informar aos filhos o ocorrido.
Abalada, a viúva, não concedeu entrevista. Os poucos amigos que falaram, chocados com a violência do acidente que resultou em caixão lacrado, disseram que Fabiano era um pai dedicado. Atenção semelhante prestava aos muitos irmãos, já que era primogênito. Será enterrado hoje, às 9h30, no Cemitério São Benedito.
Ocorrências da Duque
Dia 27/03 - Cruzamento com a rua Agenor Meira. Aline de Souza Meira, 19 anos, não teve tempo hábil para frear e colidiu na traseira do veículo de André Luiz Sartori, 37 anos, que havia parado no semáforo vermelho. Ela sofreu ferimentos leves e foi socorrida por André até o PSC.
Dia 23/03 - Bruna Cristina Juliana de Oliveira, 18 anos, estava na caçamba de uma picape Corsa que se desgovernou na quadra 26 da avenida Duque de Caxias, após o motorista tentar escapar de um patrulhamento policial. Ela não resistiu aos ferimentos.
Dia 17/03 - Por volta das 9h30, acidente entre três veículos deixou dois feridos graves. Ocorreu no cruzamento com a rua Azarias Leite, no Centro de Bauru. Uma caminhonete seguia pela Azarias sentido bairro-centro, quando na altura da quadra três, não conseguiu parar no semáforo e bateu em um Royale. Motocicleta que trafegava no sentido contrário bateu na traseira do carro.
Dia 14/03 - Colisão entre um carro e uma motocicleta no cruzamento com a rua Saint Martin por volta das 17h da tarde deixou o condutor da moto ferido e o trânsito lento na via.
Dia 12/03 - Às 17h30 no cruzamento com a rua Paraná, no Parque Paulistano, Carlos Wesley Souza, 57 anos, que transitava pela avenida, sentido Centro-bairro, não parou no sinal vermelho e colidiu com a moto Honda/CG de Robinson Silva dos Santos, 23 anos. O motociclista sofreu escoriações.
Dia 7/03 - Às 16h15, a auxiliar de enfermagem Valdiane da Silva Batista, de 27 anos, dirigia sua motocicleta CG Titan pela rua Goiás, quando, no cruzamento com a avenida Duque de Caxias, colidiu com o veículo Gol dirigido por Julio Cesar Pereira Maurício, 32 anos. Ambos alegam que o semáforo presente no cruzamento estava favorável aos dois.
(Casos veiculados pelo JC)