Muito temos assistido nos últimos dias sobre uma onda de violência que assola a rede pública de ensino. Muito mais temos visto de jovens se perdendo pelas drogas, pelo alcoolismo, pela violência gratuita e promiscuidade. Não se trata aqui de levantar bandeiras contra esta ou aquela postura de vida, peculiar a cada geração. Mas não podemos fechar os olhos e fingirmos nada acontece. Nossos jovens caminham do nada para lugar nenhum, pois não precisam frequentar as aulas, nem mesmo se esmerar para obter êxito nas avaliações, pois mesmo assim, não serão reprovados. Como consequência notamos o quanto nossos jovens vêm se limitando em seus conhecimentos. Escrevem e leem mal, calculam pior ainda, tem pouco ou nenhum conhecimento de sua história e geografia, isso sem falar em biologia, química, física, etc... Há quanto tempo não vemos um jovem do ensino fundamental ler uma obra de Machado de Assis, José de Alencar, Manuel Bandeira, Carlos Drummond .... Em contrapartida, nosso Estado se vangloria de estatisticamente ter erradicado o analfabetismo quando na realidade estamos formando uma legião despreparada e dependente do "Professor Doutor Google"! Isso tudo como consequência que teremos na cultura nacional. Como consequência imediata temos o flagrante aumento da violência nas escolas, fruto de um estado permissivo e de pais muitas vezes negligentes. Não se usa mais o "por favor", "obrigado", "desculpe"... Pronomes de tratamento como "senhor", "senhora", o que significam mesmo?! Professores hoje são reféns de um Estado que os remunera mal, prepara mal e as vezes aparelha mal. Em contrapartida despejam ano à ano centenas de jovens semi alfabetizados nas escolas. Tais jovens não são culpados, são vítimas daquilo que hoje entendem os beneficiar, a malfadada progressão continuada. Num país onde as leis "não pegam" (vejam a Lei Seca, por exemplo), porque logo essa tinha que pegar? Sem objetivos, não se obtem interesse e, sem interesse, não se tem respeito. Não há respeito a regras, a professores, a colegas... O Estado sob a égide de inclusão despeja nas escolas crianças com necessidades especiais sem colocar a disposição profissionais adequados para esta realidade.
O Estado exige a matricula de jovens provenientes da Fundação Casa, independentemente dos atos infracionais (seja lá o que for: roubo, homicídio, estupro), sem considerar que na escola existem apenas educadores, professores, não monitores preparados para lidar com a violência social da qual estes jovens são vítimas e parte integrante. Esperaremos que o Estado transforme as escolas em depósitos de dejetos sem perspectiva para ocultar sua inoperância. A violência não se erradica por decreto, nem tão pouco o analfabetismo, ou os males endêmicos. Não adianta jogar a sujeira para baixo do tapete, ela não se manterá lá para sempre. O Estado tem o dever de proporcionar saúde, segurança e educação dignos, mas não à base de maquiagens e disfarces pois o resultado está aí para quem simplesmente olhar.
Não é nossa juventude, não são nossos professores e escolas que são ruins, mas nosso sistema educacional viciado e refém dos interesses estatísticos do Estado. Escola não é reformatório ou depósito de jovens. Sem educação digna diminuirão as escolas cada vez mais, dando lugar a reformatórios e presídios.
Ubiratan Cassio Sanches - funcionário público, pastor evangélico