Viajar é bom. O problema, ao regressar, é deparar com a realidade anacrônica que nos afasta da civilidade, um vexame maior ainda quando isso decorre da comparação com um vizinho sul-americano de "3º escalão". A cidade de Mendoza é uma ilha verde no calor infernal e desértico do noroeste da argentina. Não se conta menos de 20 árvores por quadra, mas nada com que estamos acostumados a ver. As árvores atingem o 5º andar dos prédios e fazem túneis de sombra por toda cidade ? repito, toda! Fios? Existem aos milhares, mas convivem harmonicamente entre os galhos. Nas calçadas não há bueiros; existem lindas canaletas a céu aberto ou encobertas, interligando as árvores para aproveitamento de qualquer filete de água, que vai da calçada ou rua para sua raiz. Árvores mais fracas são escoradas e nunca se corta uma sem a substituir por outra já adulta. Os canteiros, abaixo da linha da calçada, têm mais do que dobro do necessário para o tronco.
Por outro lado, a Semma de Bauru é o oposto. Não existe projeto de plantio nas ruas da cidade. Quando se planta, não passam de moitas ou árvores que nem sombra fazem. Nas poucas de maior porte, ainda existentes, os "técnicos" não conseguem ver galhos sobre a rua que os afirmam doentes e precisam de poda, deixando um tufinho de galhos para o alto. Mais que dois andares de altura, nem se fala, é considerada "árvore velha" e vai ao chão.
Bauru despencou no ranking dos municípios verdes pela obviedade: a Semma peca, erra e age de forma incongruente com sua finalidade. Cada vez mais se autoriza o corte indiscriminado de árvores sem o plantio correlato. A Seplan autoriza ou não fiscaliza os rebaixamentos de guias que fazem, das calçadas, mais estacionamento privativo, e lá se vão mais árvores ao solo. As ruas e calçadas mais parecem frigideiras de calor. Nossa cidade irradia como um forno.
Não digo que os técnicos e gestores da Semma sejam vergonhosamente incompetentes e incapazes de gerir o meio ambiente urbano de forma decente. Prefiro dizer que nossos "hermanos" são 100% mais competentes e verdadeiramente preocupados com a boa qualidade de vida e a importância que o verde tem para uma cidade mais fresca e um mundo melhor. Sr. Secretário da Semma, eu pago a viagem para Mendoza se essa secretaria assumir o compromisso de fazer um projeto semelhante ao existente lá. Aceita o desafio? Enquanto isso, ironicamente, na cidade do prefeito ambientalista, se o operador de moto-serra da Semma fosse o que menos trabalha, já seria uma evolução.
Ivan G. Goffi