Segundo a mitologia grega, Ulisses foi o grande inventor do Cavalo de Tróia, uma escultura feita de madeira com mais de dez metros de altura e que continha em seu ventre um número considerável de soldados gregos. Os troianos, acreditando que o presente deixado às portas da cidade de Tróia seria um sinal de rendição do exército inimigo, não exitaram em levar a oferenda aos Deus Apolo, fazendo com que, dessa maneira, o inimigo adentrasse aos muros da cidade de Tróia sem ser notado. Ao anoitecer, a pequena legião de soldados gregos escondida no interior do artefato colocou em prática o que conhecemos nos dias atuais como "um presente de grego". Abriram os portões da cidade defendida pelos troianos para que outros milhares de soldados gregos à adentrassem-na e, sem muito esforço incendiaram-na e destruíram-na.
Uma Copa do Mundo sem nenhum apelo popular, com gastos exorbitantes e com regras que ferem a nossa soberania. Assim é vista a Copa de 2014 por muitos brasileiros. A Fifa já alardeou que o custo com estádios e infraestrutura com as cidades sedes irá explodir, ou seja, o Brasil não deve economizar dinheiro para que tudo esteja pronto. Na discussão da Lei Geral da Copa foi aventado que o Brasil não poderia se considerar dono do mundial, pois ele estaria apenas cedendo suas instalações para a realização do evento. Portanto, o país não estaria na condição de fazer exigências, mas apenas cumprir o protocolo de exigências da Fifa, assinado pelo então presidente Lula.
Os gastos iniciais previstos pelo governo federal para a modernização ou construção dos doze estádios que receberão os jogos do mundial estavam previstos em cinco bilhões de reais, hoje ultrapassam oito bilhões de reais, não incluindo neste montante as obras com infraestrutura em torno dessas arenas. Dados divulgados pelo TCU revelam que o custo do conjunto de obras para a Copa de 2014 já alcançou, em fevereiro deste ano, trinta e três bilhões de reais, ou seja, um substancial aumento da dívida pública. Com obras atrasadas, licitações obscuras, privatizações em caráter de urgência e a falta de transparência do governo federal para com a divulgação de dados oficiais relacionados ao custo real do mundial de 2014, estamos diante do maior derrame de dinheiro público da nossa história.
A diferença entre Ulisses e Lula é que o primeiro defendeu os interesses do povo a qual representava, usando-se de sua inteligência para acabar com uma guerra que durava mais de dez anos, o segundo usou-se da maior paixão nacional para movimentar o dinheiro público, enriquecer empreiteiros e aliados e com isso aumentar a dívida pública brasileira, que levará muito mais de uma década para ser liquidada.
Daniel Laiser