Desde o dia 2 de abril p.p., o Brasil passou a exigir uma série de documentos para a entrada de turistas espanhois no País. Tal medida foi anunciada no mês de junho de 2011 pelo Ministério de Relações Exteriores. Nela está a mesma política de reciprocidade que a Espanha tem para com os turistas brasileiros, ou seja, a comprovação da reserva de hoteis, ou uma carta de parentes ou amigos oferecendo hospedagem, passagem de volta já marcada, e comprovação de recursos para manter-se no País.
Informações não oficiais dão conta de que ultrapassa uma dezena o número de espanhois barados no Brasil. O caso de inadmissão mais comentado foi o de um médico espanhol, no dia 3 passado. Por outro lado, a imprensa brasileira informa que, só no mês de fevereiro deste ano, cerca de 452 cidadãos brasileiros foram impedidos de entrar na Espanha. Sabe-se que a média dos impedimentos é de 15 por dia no aeroporto de Barajas, em Madri.
Desde o início do milênio, as restrições aos turistas brasileiros, na Europa, foram acentuadas. Mas essas restrições, na Espanha, foram além do limite racional. Brasileiros comumente eram e são maltratados não só nos aeroportos, como em outros locais da Espanha. Disso sou eu testemunha. Lembro das grosserias dos funcionários dos hotéis em Vigo, Santiago de Compostela e Madri, quando estive lá em 2008. Crianças, filhas de brasileiros, que lá têm de ficar por mais tempo, são discriminadas nas escolas, recebendo apelidos vexatórios. Nas "rodinhas", é comum fazerem piadas de brasileiros, mormente quando os veem por perto. Se o policial sabe que o transeunte é brasileiro, em voz alta, pede-lhe os documentos, além de dizer alguns impropérios.
Esqueceram eles dos milhares de imigrantes pobres que vieram de lá para o Brasil, no início do século passado e que aqui construíram famílias e se tornaram cidadãos brasileiros! Esqueceram eles que empresas espanholas (Banco Santander, Telefônica, Repsol e outras) atuam com toda a liberdade no Brasil e mandam milhões de dólares de lucros para as suas matrizes, na Espanha, ajudando o país a minorar a crise causada pela irresponsabilidade de seus dirigentes. Ou será que é inveja por ver o Brasil tornar-se uma potência mundial, enquanto a Espanha ajoelha-se diante do FMI, rogando bilionários empréstimos?
Bel. José Perea Martins - membro da Academia Bauruense de Letras