As inesquecíveis canções do grande mestre do samba paulista Adoniran Barbosa são retratadas e homenageadas no musical “Os Boêmios de Adoniran”, que desembarca em Bauru neste final de semana para sessões no Teatro Municipal nos próximos dias 14 e 15. Os ingressos já têm alta procura e a equipe organizadora já cogita realizar uma terceira e extra sessão. E, além de ser premiado, o espetáculo também tem uma atração à parte, que é a presença de dois atores bauruenses no elenco: o casal Juliana Lucilha e Thiago Toledo.
Atores, dançarinos, músicos e instrumentistas buscam levar ao palco a atmosfera da cidade de São Paulo e do bairro do Bixiga – reduto de Adoniran – assim como seus sucessos entre as décadas de 5
e 7
. O espetáculo conta com dez atores em cena, além da participação de músicos convidados que tocam ao vivo.
“Os Boêmios de Adoniran”, que é sucesso garantido de público, foi lançado, em 2
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, pela Cia Interiorando de Teatro no ano em que o compositor de samba paulista completaria 1
anos. Vale destacar que o musical, além de ter sido um grande sucesso de crítica e público em todas as suas temporadas, recebeu o Prêmio Cooperativa Paulista de Teatro (CPT), na categoria Projeto Sonoro 2
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, e o Prêmio de Melhor Espetáculo no Festival de Teatro de São Paulo.
“A peça estreou em São Paulo no ano de 2
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e é fruto do projeto que foi contemplado pelo Programa de Ação Cultural (ProAC)”, explica a bauruense Juliana Lucilha, atriz e autora do espetáculo, que tem direção geral de Milton Machado. O enredo narra momentos fictícios, nos quais os personagens – João e o velho Turco – vivem emocionantes momentos de pura boemia. E, para compor a essência do espetáculo, os atores e dançarinos contam com a presença de quatro músicos convidados para interpretar as canções de Adoniran.
Desde seu lançamento, “Os Boêmios de Adoniran” já percorreu com temporadas o Teatro Coletivo, Teatro da Funarte e Teatro União Cultural, todos em São Paulo. Em Bauru, a apresentação é inédita. “Recentemente, retomamos a temporada no Teatro João Caetano, em São Paulo. Temos levado o espetáculo para o Interior, mas dependemos de patrocínio”, salienta Juliana.
E qual é o segredo de tanto sucesso? “Não há como explicar. Somente quem assiste entende que o musical é um sucesso”, responde Juliana. “A peça tem um elenco entrosado, dedicado, abriga uma harmonia muito positiva dentro e fora de cena. Acho que toda essa energia acaba chegando ao público. E, como é um musical muito leve, atrai várias faixas etárias, inclusive crianças”, comenta Juliana.
Quem foi Adoniran, o ‘pai’ do samba paulista
Considerado o “pai” do samba paulista, ele achava que João Rubinato não era nome de cantor de samba. Resolveu mudar. De um amigo pegou emprestado Adoniran e, em homenagem ao sambista Luiz Barbosa, adotou seu sobrenome. Foi assim que Adoniran Barbosa tornou-se um dos maiores nomes do cancioneiro popular brasileiro e uma das mais importantes vozes da população ítalo-paulistana.
Adoniran nasceu na cidade de Valinhos, interior de São Paulo, a 6 de agosto de 191
. Filho de imigrantes italianos, abandonou os estudos ainda no primário para trabalhar. Foi tecelão, balconista, pintor de paredes e até garçom.
Na Record, Adoniran conheceu o produtor Osvaldo Moles, responsável pela criação e pelo texto dos principais tipos interpretados por ele. Os dois trabalharam juntos durante 26 anos. No rádio, um dos maiores sucessos dessa parceria foi o programa “Histórias das Malocas”, onde Adoniran representava o personagem Charutinho. O programa ficou no ar pela rádio Record até 1965, chegando a ter uma versão para a televisão. Os dois também dividiram a criação de vários sambas. Dessa união nasceram, entre outros clássicos, “Tiro ao Álvaro” e “Pafúncia”.
As pequenas crônicas da vida paulistana criadas por Adoniran com sotaque peculiar, resultado da fusão das várias raças que escolheram a Capital paulista como morada, tornaram-se conhecidas em todo Brasil na interpretação dos Demônios da Garoa. “Saudosa Maloca”, que o próprio autor havia gravado sem sucesso em 1951, foi registrada por eles em 1955 e gravada por Elis Regina nos anos 7
.
Do mesmo ano é a gravação de “O Samba do Arnesto”. Mas foi “Trem das Onze”, de 1964, seu maior sucesso. Adoniran Barbosa morreu em 23 de novembro de 1982, aos 72 anos, pobre e quase esquecido.
Bauruense escreveu peça
Juliana Lucilha, atriz e autora do premiado “Boêmios de Adoniran”, é bauruense formada em artes cênicas pela Universidade do Sagrado Coração (USC). Além dela, outro bauruense atua no espetáculo: Thiago Toledo, que também é produtor da peça e estudou junto com Juliana, de quem é marido.
A autora, que também é uma das fundadoras da Cia de Teatro Interiorando, conta que “tudo começou” na faculdade. “Sempre fui fã de Adoniran e sempre quis montar um espetáculo que retratasse o universo dele, com as músicas dele, que são muito teatrais”, conta Juliana. “Em Bauru, ainda na faculdade, cheguei a fazer um trabalho que tinha como foco pesquisar a vida de alguns compositores. E estudei a vida de Adoniran”, recorda.
Quando Juliana se mudou para São Paulo, já formada, o antigo trabalho de faculdade ganhou vida através do teatro.
“Quando me mudei pra São Paulo, parti então para fazer algo que homenageasse o compositor, então criei o texto do musical. O texto ficou pronto no ano de 2
9 e o processo de preparação da peça começou em 2
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”, indicou.
Serviço
Apresentações de “Os Boêmios de Adoniran” nos dias 14 de abril (sábado, às 21h) e dia 15 (domingo, às 19h), no Teatro Municipal (avenida Nações Unidas, 8-9). A companhia teatral cogita realizar uma sessão extra, também no sábado, às 19h. Ingressos à venda no Teatro Municipal: R$ 6 , (inteira); R$ 3 , (meia-entrada) e com o cupom promocional do JC R$ 4 , . Informações: (14) 3235-1 72.