O Brasil será sede de dois grandes eventos o que coloca o país em destaque perante o mundo; os Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo de Futebol. Paralelo a estes, o Brasil é pré-candidato a sediar a décima edição do "Gay Games", o maior evento do gênero desportivo no mundo que será organizado pelo Comitê Desportivo GLS Brasileiro. O Gay Games é voltado para atletas, artistas, músicos, entre outras pessoas associadas ou não ao mundo GLBT. Originalmente chamado de "Olimpíada Gay", começou em São Francisco em 1982, a partir de uma ideia concebida por Tom Waddell, cujo objetivo foi o de promover o espírito de inclusão e participação, bem como a busca do crescimento pessoal. O evento mantém muitas semelhanças com os Jogos Olímpicos, como a chama olímpica que é acesa no começo das premiações.
Em 2006, a sétima edição do "Gay Games", em Chicago (EUA), movimentou cerca de US$ 80 milhões de dólares durante sua realização. Na última edição, foi a vez do governo canadense quebrar a barreira do preconceito ao apoiar a realização do evento. Os patrocínios dos órgãos governamentais canadenses foram responsáveis por mais de 70% dos investimentos, o que deixou um resultado positivo até hoje para o legado desportivo GLS canadense. Governos e instituições já reconheceram a importância da realização dos esportes voltados à comunidade GLS em todo o planeta. Em 2007, a FIFA apoiou a realização da "Copa do Mundo Gay", em Buenos Aires, na Argentina. No ano seguinte, Joseph Blatter, presidente da FIFA, pediu aos jogadores homossexuais que assumissem a sua orientação sexual. Em 1998, o governo da Holanda apoiou a primeira edição do "Gay Games" fora do continente americano.
Porém, ainda há um preconceito muito grande do empresariado brasileiro em vincular suas marcas a eventos desportivos GLS. No mundo, diversas empresas apóiam o desporto GLS com retornos positivos à marca. Existe um grande reconhecimento publicitário às empresas que apóiam a causa GLS, que obtém cada dia mais retorno destes incentivos, visto que as empresas "gay-friendlys" estão cada vez mais evidentes. O Brasil tem tradição esportiva e uma boa colocação em várias modalidades. Para o sucesso da edição brasileira do Gay Games será imprescindível o apoio tanto da iniciativa privada quanto dos governos em todas as esferas do poder.
O autor, Marcos Augusto de Freitas, é jornalista e membro do Comitê Desportivo GLS Brasileiro