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Apuros na água assustam e ensinam

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Estar cercado por água e angústia resulta em duas coisas: medo e aprendizado. Para quem viveu algo assim, e guardadas as oceânicas proporções com o Titanic, fica a certeza de que erros jamais serão repetidos. Foi o que aconteceu com o pescador Flávio Reis e parceiros de pescaria.

 

Há seis anos, em pleno Paranazão, o bico do barco em que estavam furou. “Anoiteceu e a gente não tinha lanterna e coletes. E nem água ou comida”, lembra. O jeito foi tentar manter a calma e acreditar em salvação.

 

Era um fim de semana de março em Campinal, ainda Estado de São Paulo, próximo a Panorama, na divisa do Mato Grosso do Sul. Pela segunda vez, lá estava o bauruense atrás de descanso, diversão e alguns tucunarés. Barquinho no rio Paraná, dia tranquilo, boa prosa, mas...

 

“De repente, o tempo foi mudando, mudando... Vento e chuva, e a gente longe da pousada e fora da rota”, relata Flávio. Foi quando o barco, já sem controle, bateu forte com o bico num pedaço de pau. Bico furado era naufrágio na certa.

 

“Começou a encher de água, e a noite chegando. A gente sem lanterna porque vai de dia e volta de dia... Mas escureceu”. No sacrifício do motor sem potência, o trio rumou o barco “até pequena ilha de aguapé” para tentar proteção contra o vendaval. Deu certo.

 

“Quando encostamos na ilha, deixamos o barco com bico em cima. Mas aí começou o temor de não ser encontrado”, prossegue Flávio. “Na noite, a gente via barco passando lá longe. Mas quem estava lá longe não via nem ouvia a gente”.

 

Para piorar, fome e mosquito. E sede de água potável. O grupo se protegeu como deu, com sacos plásticos nos braços, e se manteve unido e de olhos bem abertos. Ninguém dorme quando está no meio de um pesadelo.

 

 

 

Varinha “mágica”

 

Após noite em claro com Roberto Siqueira e o primo, Valter de Castro Reis, já por volta de 9h, o jeito foi amarrar sacola plástica na ponta de uma vara para balançar ao alto e, assim, chamar a atenção de outro barquinho que passava adiante em busca do trio. O barulho do motor impedia quem estava no barco de ouvir os gritos de socorro. A varinha foi, portanto, salvadora.

 

Flávio voltou com os pescadores salvadores para, aí sim, retornar em um barco maior e resgatar os dois amigos e a embarcação de bico furado, cujo nome é “Flabival” (homenagem a nomes de colegas, inclusive o próprio Flávio).

 

“Todos na pousada estavam muito preocupados. No fim das contas, demos é sorte”.

 

 

 

A lição é...

 

Nunca mais Flávio entra em barco sem colete e lanterna. Aos 75 anos, tem a certeza de que aprendeu, no sufoco das águas revoltas, que medidas simples evitam tragédias.

Ele também já esteve do outro lado, quando resgatou um grupo de aposentados cuja embarcação virou. Mas isso já é história para outra pescaria.

 

 

 

Titanic centenário

 

Os 1

anos do naufrágio mais conhecido do mundo são lembrados hoje. Confira detalhes na página 36.

 

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