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Vivendo a ?melhor idade? com muito mais intensidade

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Quem vê Cleusa Ferreira Tozato pela primeira vez não diz que ela tem 66 anos. Cabelo arrumado, sobrancelhas alinhadas, batom e um largo sorriso na boca. Simples, mas muito elegante, a mulher - que tem dois filhos, uma neta de 2

anos e um neto de 7 - curte da melhor maneira possível o período da melhor idade. 

 

Bem resolvida, ela diz que sente saudade daqueles que já foram, mas nunca sente solidão. “No primeiro ano de viuvez, passei a ser presidente do Clube da 3ª idade Renascer de Pederneiras. Trabalhei bastante e fiz muitos amigos. Nesse período,  o clube passou a ser minha casa. Nessa gestão, sou diretora social. Temos cerca de 4

associados.” 

 

De bem com a vida, ela divide seu tempo entre os afazeres domésticos, eventos do clube e viagens. “Eu jogava vôlei, mas o médico me proibiu. Agora jogo baralho. Estou ficando boa nisso, vou competir nos jogos da 3ª idade. É uma maneira de fazer amigos e passar as horas.” 

 

O jogo está marcado para as tardes de terça, quinta e sábado, no clube. A cozinha passa a ser o “cassino”. É ali que se reúnem as amigas para “treinar” para a competição. “No final do jogo, sempre tem um lanchinho. Uma traz café, outra, salgadinho, biscoitos e outras guloseimas. O jogo só é suspenso quando viajamos.” 

 

As viagens não são poucas. Sempre que tem oportunidade, Cleusa arruma as malas e parte para mais uma empreitada. “Viajo muito, conheço de norte a sul do País. Uma coisa boa é viajar com pessoas da mesma idade, que pensam do mesmo jeito, animadas. A gente se diverte muito. Programamos excursões para passearmos juntas.”

 

Para ela, viver com filhos e netos seria ruim para ambas as partes. “Quero meu espaço e eles também. Imagine os conflitos que  seriam gerados entre uma avó de 66 anos e uma jovem de 2

anos. Não quero dar trabalho e nem interferir na vida dos meus filhos e netos. Adoro eles, mas cada um na sua.”

 

Para ilustrar, ela lembra que  recentemente foi visitar a filha, que mora em Marília. “Senti que estava incomodando, não é legal. É muito importante a gente ter nosso próprio espaço. Mandar na nossa vida.” 

 

Antenada com as novas tecnologias, Cleusa comprou um computador e, quando “sobra” um tempinho, se conecta com o mundo. “Não sinto solidão. Eu danço, faço hidro, cuido das orquídeas, viajo e quando sobra tempo, vou para a Internet.” 

 

A família, inclusive uma irmã que mora vizinha dela, incentiva a série de atividades que Cleusa pratica. “Não dirijo mais, uso táxi aqui na cidade. Quando tenho que ir a Bauru ou a outro lugar, combino com meu filho e ele me leva”. Nas transações bancárias, ela garante que se sai bem. Nos afazeres domésticos, conta com o auxílio de uma faxineira. 

 

Casar de novo não é papo para Cleusa. “Só se fosse com meu marido de novo (risos). Como eu sei que não vou encontrar um companheiro como ele. Optei por ficar só, mas sem ficar sozinha. Convivo muito bem com todo mundo. Tenho muitos amigos”, declara, Cleusa, confiante.

 

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