Cartagena - A forte oposição de países da América Latina contra as sanções impostas a Cuba elevou o nível de pressão sobre o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, durante a Cúpula das Américas, ontem.
Além de colocar em xeque a declaração final do encontro, os países ameaçam reduzir a influência dos EUA na região.
O ambiente da cúpula de Cartagena contrastou com o evento de 2
9, em Trinidad e Tobago, quando Obama, lobo após ter sido eleito, foi recebido como uma estrela de rock. Dessa vez, o presidente norte-americano passou maus momentos nos dois dias do encontro na Colômbia, do qual participaram mais de 3
chefes de Estado.
Dezesseis integrantes da segurança pessoal da delegação dos EUA foram pegos em um embaraçoso escândalo de prostituição, o Brasil e outros países criticaram duramente o expansionismo monetário adotado pelos EUA. Enquanto Obama ficou na defensiva diante das demandas pela legalização de drogas.
A saga da prostituição foi um duro golpe para o prestígio dos guarda-costas do serviço secreto norte-americano e acabou se tornando o inesperado assunto do evento, realizado na cidade histórica de Cartagena. “Pessoas responsáveis por fazer a segurança do presidente mais importante do mundo não podem cometer o erro de se envolver com uma prostituta”, afirmou o guia turístico de Cartagena, Rodolfo Galvis, 6
anos.
Onze agentes foram enviados de volta aos EUA e cinco militares foram afastados de suas funções depois de tentarem levar pelo menos uma prostituta para o hotel onde estavam hospedados, um dia antes da chegada de Obama.
Um policial local disse que o caso atingiu o ápice quando funcionários do hotel tentaram registrar a prostituta na recepção, mas agentes recusaram e mostraram seus documentos de identidade.
“Alguém encarregado de cuidar da segurança do homem mais importante do presidente do mundo não pode cometer o erro de se envolver com uma prostituta”, disse o guia turístico Rodolfo Galvis, 6
anos, de Cartagena. “Isso prejudicou a imagem do Serviço Secreto (dos EUA), não a Colômbia.”
Velha disputa
Pela primeira vez, nações aliadas dos EUA, como a Colômbia, reforçaram a demanda de que Cuba esteja presente na próxima reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA).
Diplomatas disseram que a disputa poderia emperrar a declaração final planejada para este domingo no encerramento da cúpula. O texto a ser divulgado foi pensado com objetivo de demonstrar unidade no hemisfério.
“O isolamento, o embargo, a indiferença, olhar para o outro lado, vêm sendo ineficazes”, disse o anfitrião do evento, o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, sobre a questão cubana.
A Colômbia é um importante aliado dos EUA na região e conta com a ajuda militar e financeira norte-americana para o combate a guerrilhas e ao narcotráfico. Santos vem se manifestando sobre Cuba, apesar de suas fortes diferenças ideológicas com o governo cubano.
Cuba foi excluída da OEA anos depois da Revolução Cubana, liderada por Fidel Castro, em 1959, e não toma parte das cúpulas americanas por causa da oposição dos Estados Unidos e do Canadá.
“Todos os países na América Latina e no Caribe apoiam Cuba e Argentina, embora dois países se recusem a discutir isso”, afirmou o presidente boliviano, Evo Morales, que se referiu assim ao amplo apoio à reivindicação de soberania Argentina sobre as ilhas Malvinas, controladas pela Grã-Bretanha.
“Como é possível que Cuba não esteja presente na Cúpula das Américas?!”, indagou Morales. “De que tipo de integração estamos falando se excluímos Cuba?”!
Boicote
O presidente do Equador, Rafael Correa, boicotou o evento por causa da questão cubana. O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, também não participou da cúpula. Venezuela, Equador, Bolívia, Nicarágua e algumas nações caribenhas afirmaram que não participarão de outras cúpulas se Cuba for excluída.
Obama não falou sobre Cuba durante o evento. Mas queixou-se de questões da Guerra Fria, algumas anteriores a seu nascimento, prejudicarem as perspectives de integração regional.
O Brasil, potência econômica regional, liderou as críticas contra a política de expansão monetária posta em prática pelos EUA e outras nações ricas, a qual está enviando uma enxurrada de dinheiro para as nações em desenvolvimento, forçando a alta das moedas locais e prejudicando sua competitividade.
Cúpula sem declaração
Cartagena - O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, afirmou ontem que não haverá declaração final na Cúpula das Américas por falta de consenso sobre Cuba.
A presidente Dilma Rousseff decidiu antecipar o regresso para Brasília e, em comum acordo com o presidente colombiano, cancelou a reunião bilateral que ambos teriam após a cúpula.
Pela primeira vez, nações aliadas dos EUA, como a Colômbia, reforçaram a demanda de que Cuba esteja presente na próxima reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA).
Mais cedo Santos havia cobrando abertamente mudança de postura sobre a pequena ilha comunista. “O isolamento, o embargo, a indiferença, olhar para o outro lado, vêm sendo ineficazes”, havia dito o anfitrião do evento.
A Colômbia é um importante aliado dos EUA na região e conta com a ajuda militar e financeira norte-americana para o combate a guerrilhas e ao narcotráfico. Santos vem se manifestando sobre Cuba, apesar de suas fortes diferenças ideológicas com o governo cubano.
Cuba foi excluída da OEA anos depois da Revolução Cubana, liderada por Fidel Castro, em 1959, e não toma parte das cúpulas americanas por causa da oposição dos Estados Unidos e do Canadá.
A assessoria de imprensa do Palácio do Planalto informou oficialmente que o retorno antecipado deve-se a uma decisão da presidente de chegar mais cedo em Brasília e evitar cansaço extra sem relação com a falta de consenso sobre Cuba.