Internacional

YPF: expropriação tem apoio da oposição

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Buenos Aires - Embora tenha feito o risco-país da Argentina superar os mil pontos, o projeto de lei que determina a expropriação da petrolífera YPF, subsidiária da Repsol espanhola, obteve ontem importante apoio no Senado, com a adesão de importantes nomes da oposição. O governo dos Estados Unidos também manifestou sua preocupação com o projeto de lei do governo argentino. “Francamente, quanto mais analisamos isso, mais o vemos como um acontecimento negativo”, disse o funcionário do Departamento de Estado, Mark Toner, que chamou a atenção também para o “desestímulo” aos investimentos estrangeiros no país. 

 

Enquanto isso, no Senado, a proposta ganhou o OK necessário para ser finalmente aprovada na semana que vem, virando lei em meados de maio.  Membros de partidos tradicionais da oposição, como a UCR (União Cívica Radical) e a socialista Frente Ampla Progressista, se somaram ao projeto, somando 59 votos, dos 72 possíveis. Também foi anunciada a inclusão, na lei, da expropriação da YPF Gas, outra empresa do grupo.

 

 

 

Ações despencam

 

A repercussão negativa da notícia, porém, fez com que, no final do dia, as ações da empresa caíssem 27,87% na bolsa de Buenos Aires, e 32,7% em Nova York. O “Wall Street Journal” publicou um editorial bastante crítico à nova norma. Chamou de “roubo”, e disse que apenas Hugo Chávez tinha aplaudido. Chegou, ainda a propor que a Argentina fosse expulsa do G-2

.

 

Para Milagros Gismondi, do escritório Orlando Ferreres, a nacionalização da YPF não deve assustar investidores internacionais. “É um caso particular, por se tratar de uma área estratégica e que está ligada a um setor que está passando por uma situação delicada, como o energético. O governo não deve expandir essa ação para outras áreas”, disse.

 

O porta-voz da Câmara de Importadores da Argentina, Miguel Ponce, também pôs panos quentes. Disse que “a hierarquização do intercâmbio comercial argentino é uma prioridade, ainda que seja necessário não irritar os parceiros internacionais, em especial os EUA.” Com a medida, o governo quer evitar a saída de US$ 9 bilhões, gastos com importação de energia no ano passado. Outros membros da oposição fizeram críticas ao projeto, como o senador radical Ernesto Sanz. “Não sabemos o que vai acontecer agora. Esse estado de desastre não se resolve apenas com boa vontade.” Já o ex-secretário de Energia e ex-presidente da YPF, Daniel Montamat, considerou que para dar certo, a nacionalização “precisa estar acompanhada de um projeto para o setor energético, o que não vem sendo o caso”.

 

 

 

Brasil

 

O ministro Antonio Patriota (Relações Exteriores) evitou polemizar sobre a decisão. Questionado sobre o impacto da medida sobre as empresas brasileiras, ele afirmou que a pasta está “monitorando a situação” delas. “É uma decisão soberana argentina.” 

 

Comentários

Comentários