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Demóstenes Torres vê razão em CPI

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - Numa rápida sessão do Congresso, foi instalada ontem a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar o envolvimento do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com agentes públicos e privados. Após a conferência das assinaturas necessárias para a abertura das investigações, a CPI foi instalada com o apoio de 337 deputados e 72 senadores. O número de assinaturas dos parlamentares foi bem superior ao mínimo necessário, que são 171 de deputados e 27 de senadores.

 

A CPI, que será composta por 15 deputados e 15 senadores, com igual número de suplentes, vai funcionar por 18

dias e terá R$ 2

mil em recursos para as suas atividades (veja quadro).

 

Durou apenas três minutos o rito para instalar a CPI. O plenário da Câmara dos Deputados, onde o Congresso se reúne, registrava a presença de 44 senadores e 342 deputados.

 

Suspeito de favorecer o empresário Carlinhos Cachoeira, o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) disse ontem que seria “falso heroísmo” assinar o pedido para criação da CPI que vai investigar a ligação do empresário com parlamentares e agentes privados. “Não faço falso heroísmo. A vida toda fui coerente. Assinar, qual seria a razão? Falso heroísmo?”, disse. Sem assinar o requerimento, Demóstenes disse que respeita os colegas que pediram a investigação. “Acho que o Congresso tem razão para a CPI. Eu respeito o Congresso.” E completou: “todos têm direito de assinar”. 

 

O senador reiterou que só vai se manifestar sobre as denúncias que o ligam a Cachoeira depois de apresentar sua defesa ao Conselho de Ética do Senado. Ele disse que já espera a convocação da CPI para prestar depoimento. 

 

Aos poucos, Demóstenes tenta retomar sua rotina de trabalho mesmo respondendo a processo por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética. Pelo segundo dia consecutivo, o senador registrou na tarde de ontem sua presença no plenário, conversou com colegas e circulou pelos corredores da Casa até o seu gabinete.  “Estou voltando à rotina. É minha Casa, fui eleito para isso, tenho que trabalhar”, afirmou. 

 

Investigações da Polícia Federal, por meio das Operações Vegas e Monte Carlo sobre jogos de azar, indicam o envolvimento de agentes públicos e privados com Carlinhos Cachoeira - entre eles o senador. Há suspeitas de que empresários e políticos receberam dinheiro de Cachoeira para promover tráfico de influência a fim de, entre outras ações, aprovar propostas, no Congresso, que beneficiasse o setor. 

 

A CPI vai investigar a ligação de Cachoeira com políticos e empresas privadas - entre elas a Delta, que mais recebeu verbas do Orçamento do Executivo federal desde 2

7. Entre as prioridades dos futuros membros da comissão, estão as convocações de Cachoeira e Demóstenes. 

 

 

 

Sem preocupação

 

O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) disse ontem que a CPI do Cachoeira não traz preocupação ao Palácio do Planalto. Questionado se a investigação tem tirado o sono de alguém do governo, Carvalho afirmou apenas que tem dormido bem. “O governo não tem com o que se preocupar a não ser em cumprir o nosso papel, que é trabalhar, produzir, conduzir o País. O Legislativo cuida da pauta dele e nós cuidamos da nossa. E vamos seguindo assim”, disse.

 

O ministro voltou a negar interferência do governo na condução da CPI. 

 

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