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Política abre portas para os jovens

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 6 min

Para muita gente, falta sangue novo na política. Não quanto a candidatos, mas entre eleitores que, de fato, se preocupam com o que acontece na vida política seja na cidade, Estado ou País. Contudo, houve um tempo em que gente nova também dificilmente dava as caras em busca da preferência do eleitorado.


Bauru coleciona alguns expoentes da “nova safra” política. Entre eles, os três “prefeitáveis” têm menos de 50 anos e iniciaram suas trajetórias políticas logo após a adolescência.


A começar pelo atual chefe do executivo. Rodrigo Agostinho, atualmente aos 34 anos, postulante à reeleição. Candidatou-se pela primeira vez ao cargo de vereador aos 18 anos, dois após fundar o instituto ambiental Vidágua. Mas a situação de Rodrigo não é única em nossa história. Tuga Angerami, no início da década de 80, teve de assumir precocemente a chefia do Poder Executivo local em razão da morte do titular, Édison Bastos Gasparini, que faleceu no início do mandato.  


A militância de ambos começou cedo. Envolvido na causa desde adolescente, quando participou ativamente de iniciativas promovidas por ONGs ambientalistas, incluindo o Greenpeace e S.O.S Mata Atlântica, Agostinho afirma não ter encontrado dificuldades em expor ideias ao eleitorado, justamente por participar de atos públicos voltados à questão ambiental.


Eleito ao Palácio das Cerejeiras depois de dois mandatos legislativos, ele considera a Câmara como uma das grandes escolas que teve. “Principalmente por integrar a Mesa Diretora numa época de forte ebulição política na cidade”, detalha. “Foi uma época de cassações de vereadores. Além disso, percorri e conheci a cidade inteira”, acentua.


Para ele, o grande desafio proporcionado pelo tempo é justamente uma das maiores virtudes que diz considerar: “não perder a capacidade de se indignar e criticar”, observa. “Mesmo sendo prefeito não posso deixar de observar e admitir o que precisa ser feito”, admite. Agostinho diz lamenta a ausência de jovens nas discussões políticas.


Quem também colecionou aprendizado, apesar da pouca idade, seja na área política ou acadêmica (é diretora das Faculdades Integradas de Bauru/FIB) é a vereadora Chiara Ranieri, também pré-candidata à prefeitura.


Lançada á vida política há 12 anos, ela conta que, de início, não pretendia candidatura, com o nome levantado apenas para fazer número no partido. Quatro anos mais tarde, ela conta ter tomado gosto até se candidatar, de fato. A derrota nas urnas em duas campanhas não a fez desanimar, até que, em 2008, conquistou uma vaga na Câmara Municipal.



Duplo desafio


Desafio duplo, recorda hoje, aos 37 anos, já que estava grávida na época. Hoje mãe da pequena Alice, de três anos, ela diz que o principal desafio, nos primórdios da carreira, era convencer não apenas o eleitorado, mas também dentro de casa, de que a política estava “na veia”. “Meu pai (Dudu Ranieri, presidente local do partido de Chiara, o DEM) achava que eu não levava jeito. Com o tempo mostrei o contrário”, celebra.


Para Chiara, atualmente, o que não falta não é jovem na política, mas sim a consciência de que a política está em muito mais áreas do que a moçada imagina. “Tudo envolve política, não é algo apenas partidário”, define. “Sem saber fazemos política no dia a dia, o tempo todo. Acho que o jovem precisa acompanhar mais as discussões envolvendo a cidade”, acredita.


Analista de sistemas e professora de informática, ela afirma não ter encontrado dificuldades em assumir a grande responsabilidade de dirigir a faculdade, que, observa Chiara, cresceu gradativamente, assim como sua experiência. A juventude também não foi empecilho dentro da política, onde diz nunca ter enfrentado olhares “tortos”. “Nem por ser mulher, tampouco por ser nova”, descarta.


Também prefeitável, Clodoaldo Armando Gazzetta, hoje com 43 anos, iniciou a trajetória política aos 21, em 1992. Também ligado às causas ambientais, afirma que uma das maiores dificuldades em se lançar candidato a vereador na época, além da juventude – causadora de certa desconfiança entre os mais tradicionais, algo comum duas décadas atrás – era transmitir sua plataforma ao público num tempo em que discurso ambiental ainda era tido como “coisa de ecologista”.


“Eu defendia que a cidade precisava de mais de várias estações de tratamento de esgoto. Está provado, hoje, que estava certo”, considera Gazzetta, que, um ano mais tarde ao lançamento como candidato a vereador (o mais jovem do pleito de 1992), assumia a Secretaria Municipal do Meio Ambiente.


Graduado em geologia, a principal recordação da juventude nos primórdios da carreira política é a, segundo o próprio define, “adrenalina a flor da pele”. “Quando somos novos temos aquela vontade de mudar o mundo. Infelizmente, hoje, percebo que pouca coisa mudou, é quase o mesmo discurso”, lamenta Gazzetta, referindo-se ao discurso visto entre a maioria dos políticos e temática ambiental.

 

Elas dão as cartas

Se as mulheres, a cada dia que passa, assumem papel protagonista no meio profissional, entre a juventude a realidade também não é diferente. Independentemente ao ramo de atuação, elas já deixaram mais do que provado o tirocínio para enxergar oportunidades.


É o caso da comerciante Letícia Milanese Capelozza, de 29 anos. Inovadora, após os diplomas em administração de empresas e técnica em estilismo e coordenação de moda, aproveitou a experiência que adquiriu após três anos em empresa do segmento para encarar o desafio de ser dona do próprio negócio.


“Queria me envolver em algo que, além de ser bom profissionalmente, também fosse criativo e economicamente viável”, justifica.


Desta forma, ela inaugurou a primeira “concept store” (loja conceito) da cidade. Segundo ela, a iniciativa demandou levantamento minucioso, sem qualquer traço de impulsividade ou modismo, adjetivos muitas vezes atribuídos aos mais jovens. “Estudamos o mercado da cidade, entendendo o que faltava. O resultado foi formar uma loja com ‘life style’ e atitude que ninguém havia montado na região”, comemora.


A maior dificuldade, segundo ela, foi o obstáculo inerente a todo comerciante em início de atividade. “È encarar o tempo que qualquer negócio leva para se fortalecer sem desanimar. A perseverança nos dá força e nos faz crescer”, confia.


Outra prova de que tempo de serviço não representa, necessariamente, “longos anos de praia” é a vivência profissional de Flávia de Souza.


Hoje, aos 32 anos, ela está na batalha desde os 14, época em que estagiava na Ambev, na condição de estudante em curso técnico na área de Química, na qual também viria a se gradua, com especialização em gestão ambiental.


Dez anos mais tarde, após aprovação em concurso público, integrou o Departamento de Água e Esgoto, o DAE, onde atuou no setor de tratamento de água.


Um dos maiores desafios, lembra Flávia, foi colaborar para a prorrogação da vida útil do aterro sanitário, então condenado em 2010. “O aterro seria fechado. Conseguimos, após formar uma equipe multidisciplinar, manter (o dispositivo) até 2014”, celebra.


Ano passado, ela decidiu usar a experiência aliada à juventude para um novo passo na trajetória profissional, um empreendimento próprio. Ela pediu para ser exonerada e adquiriu, em fevereiro do ano passado, o laboratório Natron, especializado em gerenciamento ambiental. No caso dela, a “química” entre precocidade no mercado de trabalho e aperfeiçoamento teórico foi perfeita.


 

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