Caminhava eu por um dos longos corredores da Beneficência quando notei que em minha direção, rente à parede, vinha um senhor aparentando idade avançada. Ainda distante alguns passos, ouvi uma voz feminina ecoar dirigida ao ancião: - "senhor fulano", pare um momento que eu quero te dar um beijo... Ao ouvir seu nome e as palavras, o homem parou, e num instante alguém se aproximou e deu-lhe um beijo na face e se afastou. Em seguida, o homem continuou sua caminhada estampando um largo sorriso e extrema felicidade, algo assim como quem recebe um presente de valor inestimável. Continuou com aquele grande sorriso balançando a cabeça pra lá e pra cá, como que dizendo: - "Neste mundo ainda tem amor". Com a varinha na mão tocando continuamente na parede, passou por mim o deficiente visual todo alegre, e em minha face rolou a lágrima testemunha daque instante de sublimação.
Adalgizo W. M. Ferreira