Ciências

O DNA já "foi" exclusivo!

Alberto Consolaro
| Tempo de leitura: 3 min

Conhecer não é saber. Manusear um CD pode ser mais gostoso se soubermos que o tamanho foi padronizado para homenagear Beethowen: cabe exatamente a nona sinfonia!

Usar a tecnologia bluetooth sem fio entre computadores, celulares e rádios sabendo-se a história de seu nome e símbolo fica melhor. Um rei nas terras escandinavas promoveu a união dos pequenos reinos vikings separados, isolados e frágeis. A integração fortaleceu-os contra os inimigos. Este rei da conexão tem sobrenome traduzido para o inglês como "denteazul", tal qual "casagrande" e "matogrosso". O inventor norueguês colocou o sobrenome real em homenagem e o símbolo do bluetooth vem da superposição das iniciais do rei em seu alfabeto: o B superposto pelo H.

Muitas vezes esquece-se de valorizar o saber, tem se apenas uma informação como novidades, últimas notícias e fofocas: não interpreta-se os fatos e desdobramentos. Reflexões, nem pensar! Mário Quintana disse: a poesia tira o homem da realidade e o devolve melhor. A reflexão também. Em homenagem da Fapesp, o jornalista Alberto Dines destacou: - preciso entender o que faço, perceber o que esperam de mim, tenho que descobrir o que ajudará os nossos sucessores a livrarem-se das miragens do progresso e das ilusões da velocidade. Recomendou: somem experiência com reflexão e sejam metódicos!

Precisamos questionar: porque manipulamos o DNA? Para melhorar as futuras gerações: será? Mudar o lugar de um elemento na molécula ou removê-lo pode alterar ou restabelecer uma função, mas não melhorará as futuras gerações no sentido amplo. Nos últimos dois bilhões de anos o DNA fazia adaptações em sua molécula para que pudéssemos viver melhor e cada mutação demorava 100 anos para ficar estável e passar o benefício para as futuras gerações. Nos tempos atuais, o DNA adapta-se uma unidade por ano: é muito pouco para a velocidade do mundo! Precisamos de outras vias.

Existe uma forma contemporânea ou atual de se ver a hereditariedade. Muitas pessoas pensam e usam a palavra moderno como se fosse atual. Moderno advêm do modernismo, um movimento intelectual, artístico e científico do início do século passado até mais ou menos a década de 1970. Ser moderno é quase ser antigo! No livro "Evolução em quatro dimensões: DNA, comportamento e história de vida" Eva Jablonka e Marion J. Lamb (Cia das Letras) expõem com clareza a visão contemporânea de hereditariedade.


As 4 dimensões

Uma geração pode ter características transmitidas aos sucessores por quatro formas ou dimensões diferentes. O termo hereditariedade refere-se à propriedade de transmissão de características de pais para filhos ou gerações. O termo genética relaciona-se aos genes ou informações codificadas nas moléculas do DNA enrolado em proteínas, no conjunto, chamado cromossomo.

A primeira dimensão de hereditariedade se dá através dos genes. As características transmitidas geneticamente são influenciadas por fatores ambientais d?onde a célula e organismo vivem: são os fatores epigenéticos. A epigenética não induz mutação, apenas interfere no funcionamento dos genes e no resultado final.

Além destas duas formas de hereditariedade ? genética e epigenética - a terceira forma de hereditariedade se traduz na transmissão comportamental de informações como o aprendizado social em animais na postura, hábitos e formas de reação: os novos membros desenvolvem características do grupo ou família. Lembram: o exemplo é a melhor forma de ensinar!

A quarta forma é exclusiva do homem, pois a transmissão se faz pelos símbolos da linguagem na comunicação entre membros de uma geração para com a outra, tal como a escrita, fala e outros ícones. Este é o patrimônio cultural da humanidade, diz a ONU.

A falta de reflexão e o consumo imediato de informações leva-nos a usarmos mais o comportamento como forma de hereditariedade do que os símbolos da comunicação. Leva-nos a aproximarmos mais dos animais por mudar ou reagir de forma comportamental, enquanto que a reflexão via linguagem faríamos avaliar os desdobramentos das atitudes e reações.

Bem que poderíamos reservar 15 minutos ao dia para reflexão sobre o que estão fazendo nossos genes, os fatores epigenéticos, nossos comportamentos e se estaríamos nos comunicando melhor através dos símbolos! As futuras gerações com certeza seriam bem melhores! O DNA já não consegue mais, sozinho, melhorar o homem. Ajudemos!

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