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Bauru perde ?os vários? Amir Farha

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

Aos 64 anos, morreu ontem Amir Michel Farha. Ou melhor, no plural, morreram. Morreram o radialista, o homem importante na política, a enciclopédia do futebol, o ex-diretor do Noroeste, o responsável pelo “teto” de muitos bauruenses, o homem que recebia “alôs” do Faustão, o empresário, o fã do cantor Roberto Carlos, o amigo. Após ser internado com uma fratura no fêmur e passar por uma cirurgia, todos estes homens se foram nesta segunda-feira.

 

Nascido em Piratininga, foi lá que ele passou seus últimos dois anos. Mas a ligação com Bauru era muito forte. Pela maioria dos “círculos” de poder, Farha passou. E não só passava. Fazia amigos.

 

De acordo com eles, o jovem começou no rádio bauruense, onde já se destacava pela inteligência. Para muitos, era um dos maiores conhecedores da história futebolística. “Na verdade, por trás de tudo isso, ele era uma pessoa extremamente alegre”, conta a irmã Vivian Michel Farha, 58 anos.

 

E a amizade não se restringia só pela região. Por meio dos veículos de comunicação chegou à Capital, onde fez amigos importantes nos mais elevados escalões da política e no mundo das celebridades. Frequentemente, o apresentador Faustão mandava abraços ao vivo, em seu programa, para Farha. 

 

Além de Faustão, outro que teve bastante contato com ele foi Milton Neves. Grande parte do acervo histórico esportivo do apresentador teria vindo da “cabeça” de Farha. O prestígio foi tamanho que foi padrinho de casamento do grande narrador esportivo Osmar Santos. 

 

Já na política, seu jeito gentil e educado “conquistou” terreno nacionalmente. Amigos contam que, em plena época da ditadura, na década de 7

, ele era bastante próximo dos maiores nomes do regime militar. Por conta desta relação, conseguiu muito por Bauru.

 

Na luta pela cidade, tornou-se nome de confiança na equipe do ex-prefeito Alcides Franciscato. Segundo familiares, a quem ele tinha enorme admiração e se referia até os últimos dias.

 

E, como citado no início da reportagem, os “muitos” Farha não param de aparecer. Com forte atuação na comunidade, vai ser lembrado ainda pelas inúmeras casas de quando foi diretor financeiro da Cohab. Por outros, como ex-diretor do Noroeste, clube que, em março, promoveu um torneio com seu nome. Ou talvez pelos projetos desenvolvidos quando foi sócio de Jurandyr Bueno Filho.

 

 

Amigo

 

Gustavo Farha Garcia tem apenas 15 anos e uma distrofia muscular degenerativa. Todos o chamam de “iluminado” por sua sabedoria. Em poucos minutos de conversa, ele comprova isto. Por isso, quem não conheceu um desses múltiplos Farha pode encontrá-lo no jovem, que é seu sobrinho.

 

“Tio? Não. Ele era um amigo. Eu perco hoje um grande amigo”, responde Gustavo, perguntado sobre quem era seu tio no cotidiano. Os dois amigos, mesmo com a diferença grande de idades, passavam horas e horas conversando todos os dias.

 

Logo, o garoto se lembra da sabedoria do amigo tio. Sabedoria que nunca atrapalhou sua alegria. “Ele adorava fazer um churrasco. Tinha um senso de humor incrível”, conta. 

 

No dia 21, Farha sofreu uma queda que culminou na fratura do fêmur. Desde então, ficou internado no Hospital Estadual (HE). Passou por uma cirurgia e morreu por complicações hepáticas. Deixa três filhos - Henrique, Amir e Michele - e um neto, Pedro, de 14 anos. Desde ontem à tarde, amigos e familiares se despedem de Amir Michel Farha na casa onde passou seus últimos dias, no Centro de Piratininga. Hoje, às 11h, ele será sepultado no cemitério da cidade.  

 

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