Sábado, às 2
h do dia 29 de abril do ano de 2
. Há 12 anos, o Teatro Municipal recebia seu primeiro espetáculo, “Honra”. A peça tinha no elenco Marco Caruso, Gabriela Duarte e marcava a volta de Regina Duarte para os palcos. E também marcaria para sempre a vida cultural bauruense. Em seu palco já foram vistas várias histórias que fizeram o público rir e chorar. Mas hoje quem nos conta sua história é o próprio Teatro. Há exatos 12 anos, o Teatro Municipal da quadra 8 da avenida Nações Unidas, área central de Bauru, era inaugurado, exatamente no dia 26 de abril de 2
.
E, por trás das cortinas, o equipamento teatral tem uma trajetória regada a espetáculos e apresentações memoráveis, mas também acumula batalhas por recursos, por estímulo à produção local e por mais políticas públicas culturais. Outro capítulo importante do Teatro Municipal foi em 2
1, quando a entidade passou a levar o nome de “Celina Lourdes Alves Neves”, em homenagem à professora e diretora teatral Celina Neves (leia texto nesta página).
Primeiro espaço público municipal destinado a receber espetáculos, antes as peças eram vistas em clubes ou no teatro da Universidade do Sagrado Coração (USC). Então, o equipamento chegava na cidade para fortalecer a cultura do município e garantir um espaço mais adequado para as apresentações artísticas. “Mesmo sem a caixa cênica adequada, a produção artística em Bauru sempre foi bastante atuante”, destacou o atual agente cultural Sergio Losnak, secretário que presidia a Secretaria da Cultura na época da inauguração do espaço. Losnak foi sucessor de Josefina Fraga durante o governo de Nilson Costa.
Fortalecimento
Com a chegada dessa importante ferramenta pública de difusão artística, os grupos teatrais e de outras linguagens ganharam mais força e passaram a adaptar seus espetáculos a um tipo de palco mais avançado. “O Teatro é e sempre foi uma ferramenta fundamental para o desenvolvimento de várias áreas e linguagens”, destacou o atual secretário municipal de Cultura, Elson Reis.
“O Teatro Municipal era um anseio muito grande da comunidade bauruense e há muitos anos era reivindicado. Eu acho que o Teatro, também a banda e a orquestra municipais, representaram contribuições muito significativas para o setor de cultura de Bauru”, declarou o ex-prefeito Nilson Costa.
Mas a viabilização do Teatro Municipal não foi tarefa fácil. Uma das lutas foi travada pela ex-secretária de Cultura Josefina Fraga, que precisou deixar um mês antes o cargo na prefeitura, que posteriormente foi assumido por Losnak. “Havia muita coisa inacabada e então travamos uma verdadeira batalha buscando patrocinadores, lidando com processos e com falta de recursos”, contou.
Quem foi Celina Neves?
Celina Lourdes Alves Neves nasceu em Taquaritinga (SP), no dia 6 de abril de 192
. Filha de Antonio Alves Filho e Carminda Ribeiro Alves, foi casada com Eurico Camargo N eves, falecido em 1954. Desta união nasceram os filhos Paulo Roberto, Carlos Alberto e Celina Elizabete.
Nos anos 5
, fundou a Escola Progresso, na rua Gerson França, e a dirigiu por mais de 4
anos. Em 1958, fundou o Grupo Folclórico Luso-Brasileiro e no ano posterior, o Grupo Teatral Gil Vicente. Foi a primeira presidente e liderou até os anos 8
a Federação Bauruense de Teatro Amador (Febata), criada em 1965.
Abriu a Escola Progresso para o Grupo Esperantista de Bauru e manteve reuniões de poesia até junho de 2
. Foi homenageada pela Câmara Municipal de Bauru com a Medalha do Mérito “Custos Vigilat” e com o Título de “Cidadã Bauruense”. (Da Redação)
Democratização
De acordo com o secretário Elson Reis, o Teatro Municipal “Celina Lourdes Alves Neves” passou por uma época de defasagem e problemas de infraestrutura. Apesar disso, as recentes reformas e chegada de novos equipamentos garantiram mais qualidade ao espaço, que voltou a receber espetáculos de grande porte, que exigem produção mais elaborada.
O secretário diz que a intenção é tornar o serviço mais acessível e democrático. “Estamos modernizando o regulamento do Teatro e reduzindo as taxas de utilização. Assim, deixamos o Teatro mais atrativo para receber produções locais”, enfatiza Elson.
Quase meio milhão de espectadores
Nos últimos 12 anos, estima-se que 48
mil pessoas já tenham passado pelo Teatro. Durante este período, presidiram a Secretaria Municipal de Cultura Josefina Fraga, Sérgio Losnak, José Augusto Ribeiro Vinagre, Pedro Romualdo, Janira Bastos e Elson Reis, atual gestor.
O Centro Cultural “Carlos Fernandes de Paiva”, do qual faz parte o Teatro, foi inaugurado em 3
de dezembro de 1996 e também abrange a sede da Secretaria de Cultura, a galeria “Angelina W. Messenberg”, o auditório municipal “Heuvécio Barros” e as Bibliotecas municipais “Rodrigues de Abreu”, Biblioteca Infantil “Ivan Engler de Almeida”, Biblioteca Verde e a Gibiteca Municipal “Aucione Torres Agostinho”.
Artistas opinam
“É importante que o Teatro valorize a produção bauruense. Gostaria de ver mais apresentações de bauruenses em qualquer época do ano.”
Janaína Macena – produtora cultural
“O Teatro Municipal é um presente. É um local pensado para garantir conforto e acessibilidade. Os contratempos não chegam nem no dedão do pé diante das maravilhas que ele já proporcionou.”
Aleksander Rodrigues - Palhaço Faísca