Bairros

Escuridão: aliada do crime em viaduto

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

A falta de iluminação nas proximidades do viaduto inacabado tornou-se um problema para os moradores da região do Jardim Bela Vista. Com mais de um quilômetro de extensão, a viela que liga a Vila São João da Boa Vista ao Centro da cidade coleciona perigos aos moradores das proximidades. De acordo com a Polícia Militar (PM), somente no mês de abril quase 2

ocorrências envolvendo assaltos foram registradas naquela região.

 

Quem passa pelas imediações do futuro viaduto que fará a ligação entre a Vila Falcão e o Jardim Bela Vista, próximo ao Fórum de Bauru, consegue notar a proporção do problema. 

 

“Aquela área concentra usuários e até criminosos. Só neste mês, foram registrados cerca de 2

roubos na região central. A maioria é causada por usuários de crack, que ficam na margem da linha férrea e do viaduto e usam a força física para praticar os delitos”, ressalta o comandante do 1º Batalhão da Polícia Militar, capitão Jorge Luís Dias.

 

Moradora da rua Santo Antônio, uma das vias que cruzam a linha férrea nas proximidades do viaduto, Caroline de Oliveira, 19 anos, confessa que ela e sua família convivem diretamente com o medo da falta de iluminação e do estado de abandono em que as margens do viaduto inacabado, vizinho de sua casa, se encontram. 

 

“A polícia vem e recolhe os usuários, mas eles voltam para usar droga. Quando você passa eles ficam observando e te seguem. Temos medo de sair à noite lá em casa. Não tem iluminação nas ruas perto da linha férrea e os postes que tem são fracos”, afirma Caroline.

 

Ao final da avenida Nuno de Assis, uma viela paralela à quadra 2 da rua Tiradentes, que dá acesso ao bairro São João da Boa Vista, é usada sem medo por moradores que se arriscam durante o dia e à noite no trajeto em meio ao mato alto, lixo, entulhos, mau cheiro e ao risco de serem assaltados naquele trecho, que não possui iluminação pública.

 

Ainda na viela, tubulações da rede de galerias depositadas há meses para o uso da prefeitura acabaram virando abrigo para usuários de drogas.

 

 

 

Sem as roupas

 

Há menos de um mês, um funcionário público de 65 anos, que pediu para ter a identidade preservada, foi vítima de assalto quando voltava para casa pelo acesso que liga o final da Nuno de Assis com a rua Tiradentes, na baixada do Jardim Bela Vista. 

 

Ele caminhava por volta das 19h3

quando foi abordado por quatro rapazes que saíram de dentro das tubulações e o atacaram. “Para não precisar subir seis quarteirões, eu acabo usando aquele acesso do viaduto para voltar para casa. Nunca passo por ali antes de escurecer, mas naquele dia trabalhei até tarde e não teve jeito. Eles (os bandidos) apareceram na minha frente e me mandaram passar tudo. Foi uma humilhação”, relata o homem, que além de ter R$ 75,

roubados ainda foi obrigado pelos bandidos a tirar toda a roupa para voltar a salvo para casa.

 

Outro caso é relatado pela moradora Aparecida de Fátima Conacchione, 48 anos, que realizava o trajeto para chegar ao centro da cidade e, após ser vítima de assalto por duas vezes naquele local, trocou o atalho pela caminhada ao longo da rua Olavo Bilac e o acesso ao viaduto da Azarias Leite. “Já fui assaltada duas vezes por malandros fazendo esse caminho.”

 

 

 

Iluminação para o segundo semestre

 

A respeito da iluminação pública às margens do viaduto, que teve as obras da alça de acesso retomadas no início deste ano com previsão para conclusão em janeiro de 2

13, o secretário de Obras do município, Eliseu Areco, afirma que a situação poderá ser resolvida entre os meses de agosto e setembro deste ano.

 

“O projeto para a iluminação dessas áreas ainda não foi concluído. A melhoria da iluminação no entorno do viaduto deve acontecer assim que conseguirmos a verba necessária neste segundo semestre, afinal a obra acabou comprometendo o resto dos recursos”, explica o secretário.

 

 

 

Segurança

 

Quanto à segurança dos moradores e pedestres que se arriscam cortando o caminho pela viela às margens do viaduto inacabado, a Polícia Militar orienta que é preciso consciência da população sobre o problema naquela região.

 

“Realizamos um trabalho intenso com a Sebes (Secretaria do Bem-Estar Social) naquela área da cracolândia, mas a maioria dos usuários não quer se tratar e acaba roubando pra comprar droga”, explica o capitão da PM, Jorge Luís Dias. 

 

Segundo ele, pelo menos uma vez por semana, a PM reforça o efetivo para realizar abordagens aos usuários, que se concentram entre o viaduto inacabado e uma quadra de esportes abandonada na avenida Nuno de Assis, para diminuir a incidência da criminalidade.

 

Para o capitão, as condições do ambiente físico e a falta de iluminação são fatores que colaboram para o aumento da criminalidade em alguns pontos do município.  

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