Hoje é comemorado o Dia Nacional de Combate à Hipertensão, patologia que contribuiu para 13% (ou 6
casos) de um total de 464 mortes computadas pelo Sistema de Informação de Mortalidade da Prefeitura Municipal de Bauru no primeiro trimestre deste ano. Apesar da triste estatística, houve uma ligeira queda em comparação com o mesmo período do ano passado, quando o total de óbitos por complicações desta doença foi de 75.
Na campanha “Eu sou 12 por 8”, realizada no último domingo na feira da rua Gustavo Maciel, cerca de 2
% de 64
pessoas que aferiram a pressão arterial descobriram ser hipertensas (leia mais ao lado).
A hipertensão é uma doença silenciosa desencadeada por uma série de fatores relacionados à genética e qualidade de vida. No ano passado inteiro, das 2.491 mortes computadas pelo sistema de mortalidade do município, 299 tiveram contribuição da patologia.
Se for analisado apenas o primeiro trimestre de 2
11, o total de mortes por esta complicação foi de 12% dos cerca de 62
ocorridos em cada trimestre do ano. Para chegar a esta porcentagem foi feita uma divisão exata dos óbitos por cada período de três meses, já que os dados fracionados referentes ao ano passado não estavam disponíveis à reportagem do JC.
“A porcentagem não é ruim, mas merece atenção. O perfil da população está mudando porque hoje temos que considerar as crianças hipertensas por conta da obesidade. Poucas sofrem de hipertensão por fatores genéticos. Atualmente elas preferem o computador e o videogame a um exercício físico, comida saudável”, comenta o médico sanitarista Pedro Pereira, diretor de planejamento, avaliação e controle da Secretaria Municipal da Saúde.
Outras patologias
A hipertensão é um importante fator de risco para diversas doenças cardiovasculares, como o acidente vascular cerebral (AVC), enfartes do miocárdio, insuficiência renal, entre outras. Isso acontece por conta da constrição dos vasos sanguíneos aliada ao aumento da pressão arterial, conforme esclarece o médico sanitarista.
“No caso da insuficiência renal, é como se o rim estivesse filtrando uma grande quantidade de sangue com a ‘torneira aberta’, falando de uma forma mais ilustrativa. Isso é uma sobrecarga para o rim”.
Ouve-se muito falar em hipertensão aliada ao diabetes. O médico Pedro Pereira destaca que as duas patologias são causadas por fatores muito semelhantes: a genética, alimentação desregrada e sedentarismo. “Nestes casos os riscos começam a ficar redobrados, podem aparecer problemas na visão, obstrução arterial, os problemas renais podem se agravar”, alerta.
Como evitar
Apenas 13,5% dos hipertensos sob tratamento consomem sal na quantidade ideal para controlar a doença, de acordo com um estudo do Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, sendo que o estudo foi feito entre 2
9 e 2
11 com 949 pacientes.
De acordo com o médico Pedro Pereira, é possível evitar e se livrar da hipertensão arterial quando a patologia não é causada por fatores genéticos.
“Se o paciente seguir a dieta à risca, ingerindo menos alimentos industrializados, praticando exercícios físicos, ele pode se livrar da hipertensão, que está muito associada ao aumento de peso. Se o fator for genético, o paciente, provavelmente, tem que se medicar durante a vida.”
A sugestão do médico sanitarista é não deixar de aferir a pressão arterial com frequência, além de cuidar bem da saúde. “Muitos pacientes nossos não seguem o que falamos. O médico exige uma série de mudanças que não são cumpridas pelo paciente”, pontua.
Programa atende mais de 21 mil
O Programa Municipal de Controle da Hipertensão Arterial de Bauru atende atualmente 21.178 bauruenses e prevê a adequação de atividades de prevenção, controle e tratamento da hipertensão, buscando mantê-los em níveis de pressão arterial compatíveis com a normalidade.
No programa os pacientes contam com a participação de uma equipe interdisciplinar, composta por médicos, enfermeiros, nutricionistas, farmacêuticos, assistentes sociais e técnicos de enfermagem, incrementando e operacionalizando o programa na população atendida, com a finalidade de evitar complicações e reduzir a morbi-mortalidade relacionada a essa patologia.
Aceita-se como normal para indivíduos adultos, com mais de 18 anos de idade, uma pressão ‘12 por 8’, ou seja, cifras inferiores a 85 de pressão diastólica e inferiores a 13
de pressão sistólica.
Todo paciente com diagnóstico de hipertensão arterial na rede pública de Saúde deverá ser incluído no programa, receberá um ‘Cartão de Identificação do Hipertenso’ e, periodicamente, será acompanhado pela equipe.
Pressão medida na feira
A popularidade da feira da Gustavo Maciel foi aferida no último domingo por um aparelho de medir pressão. Entre as 7h3
e 12h, 64
pessoas aproveitaram a campanha “Eu sou 12 por 8” para checar se a pressão do sangue nas artérias estava normal, mas cerca de 2
% foram diagnosticadas hipertensas.
“Tivemos um caso de 2
por 13. Ele foi orientado”, comentou o cardiologista Christiano Roberto Barros. Ele explica que a iniciativa foi realizada por conta da campanha nacional da Sociedade Brasileira de Cardiologia, que estabeleceu hoje como o Dia Nacional de Combate e Controle da Hipertensão.
Para tanto, dez pessoas, entre alunas de enfermagem das Faculdades Integradas de Bauru (FIB) e do Hospital Estadual (HE) atenderam aos frequentadores da feira, como é o caso de Benedito Alves, 62 anos. Apesar de tomar medicação para combater a hipertensão, a aferição de domingo foi de 14 por 8, já considerada alta.
Já Jorge e Silmara Rodrigues comemoraram a pressão dele de 12 por 8. Sem sentir qualquer sintoma, já chegou a 17 por 12. Hoje ele toma medicamentos para controle. “Mas também mudamos a alimentação e fazemos caminhada”, completa Silmara.