Tribuna do Leitor

O REPOUSO DO GUERREIRO


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Foi sepultado no dia 15 o amigo Silas Mendonça de Souza. Fomos criados muito próximos ali na Vila Santa Isabel, logo acima do atual Hospital de Base. Nossos pais eram ferroviários da antiga E. F. Noroeste do Brasil, e ambos membros da Igreja Metodista do Brasil. Crescemos juntos, desde a infância até a juventude.

O Silas era dotado de capacidades diversas. Na idade apropriada foi aluno da tradicional "Escolinha da NOB"; mais tarde foi praticante hábil como telegrafista da ferrovia; destacou-se tanto no telégrafo de duas teclas como no de um só ponto fixo; notabilizou-se quando chegou o modelo "vibroplex" que exigia grande talento no seu manuseio; foi imbatível nesse tipo de aparelho telegráfico. Era também exímio datilógrafo.

Em razão da sua capacidade, muito cedo, bem jovem ainda, foi contratado para ser o operador de campo da antiga NAB ? Navegação Aérea Brasileira, lá no meio do que é hoje o Jardim América. Ali fazia a leitura dos aparelhos de verificação das condições do tempo e dos ventos, e os transmitia por telegrafia às aeronaves, conforme seus horários previstos. Muita responsabilidade para quem era tão jovem. Mais tarde trabalhou na mesma área para as companhias Panair do Brasil e Varig, nesta como rádio operador de bordo.

Depois ingressou por concurso na mesma função na Secretaria da Segurança Pública de São Paulo. Graduou-se em direito e ingressou, também por concurso no Ministério do Trabalho no órgão regional de Campinas, onde se aposentou na função de perito avaliador judicial.

Silas foi também um destacado músico, como baterista, tendo atuado com destaque na extinta Orquestra Continental de Jaú, e participado de pequenos grupos musicais, sendo o último deles o Four in C, composto por músicos bauruenses. Entre as suas virtudes, a alegria foi uma delas. Não havia tristeza perto dele, era bem humorado e a tudo respondia com sorrisos. Amigo fiel, não decepcionava a ninguém.

Os últimos cinco anos de vida do amigo, não foram fáceis. Acometido pelo mal de Alzheimer padeceu longamente, mal agravado por duas tromboses. Silas deixou a esposa Miriam, o filho Cláudio Eduardo, e os irmãos Paulo, Eunice, José Carlos, Alair, Ireni, e muitos amigos. Por fim o guerreiro chegou ao seu descanso. Repouse em paz, amigo, a sua luta terminou heroicamente.

Antístenes Garcia Menezes

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