Saber o número de vezes que uma fêmea de cabeçuda (caretta caretta) desova em uma temporada reprodutiva e com que frequência as tartarugas dessa espécie voltam à praia de nascimento para fazer seus ninhos é o que pretendem os pesquisadores do Tamar em um estudo sobre parâmetros populacionais em tartarugas cabeçudas na Praia do Forte, na Bahia.
Em uma das áreas de maior concentração de ninhos dessa espécie no Brasil, o esforço intensivo de marcação e recaptura das fêmeas que vêm desovar em duas temporadas reprodutivas, 2009-2010 e 2010-2011, nos 5km de praia que concentram 60% das desovas, monitorados durante 5 meses (outubro a fevereiro), mostrou que as fêmeas fazem uma média de 4 ninhos por temporada, em um período de tempo de aproximadamente 15 dias. Analisando dados do retorno de fêmeas marcadas que indicam remigrações (entre temporadas de desova) dos animais, observou-se que as tartarugas voltam a desovar na mesma praia em intervalos de dois ou três anos.
As conclusões preliminares da pesquisa foram apresentadas durante o 32º Simpósio Anual de Biologia e Conservação de Tartarugas Marinhas, realizado em Huatulco, estado de Oaxaca, no México, no início de 2012. O estudo está programado para continuar por mais três anos, quando espera-se gerar resultados com base em uma amostra mais robusta.
Cabeçuda é a espécie que registra maior número de desovas no Brasil
A tartaruga cabeçuda (caretta caretta) é a mais comum desovando no litoral, com maior concentração na Bahia, ocorrendo também nos Estados de Sergipe, Espirito Santo e Rio de Janeiro. O Brasil ocupa a terceira posição entre os sítios de desova dessa espécie no oceano Atlântico. Classificada como em perigo de extinção, é encontrada em todos os mares.
A espécie é conhecida popularmente por esse nome por causa da sua cabeça proporcionalmente maior que as demais espécies, alcançando até 25 centímetros. Em algumas regiões, também é denominada Vovô de Aruanã ou Mestiça.
Podem ter mais de um metro de comprimento de casco, cuja coloração é marrom na parte superior e amarelada na parte inferior, contando com cinco pares de placas laterais. Pesa entre 100 até 180 quilos.
Com uma estimativa mundial de população em torno de 60 mil fêmeas em idade reprodutiva, a cabeçuda atinge a maturidade sexual entre 25 e 30 anos. Cada ninho contém quase 130 ovos, em média, com tempo de incubação médio de 60 dias. O intervalo entre os períodos reprodutivos varia de dois a três anos. Cerca de 70% a 80% dos ovos geram filhotes.
A cabeçuda é carnívora por excelência, durante todas as fases de sua vida. Alimenta-se de caranguejos, moluscos, mexilhões e outros invertebrados triturados com ajuda dos músculos poderosos da sua mandíbula, capazes de quebrar conchas e carapaças de outros animais com facilidade.
(Fonte: www.tamar.org.br)