Jaú – Por seis votos a quatro, a Câmara de Jaú (47 quilômetros de Bauru) aprovou ontem a aplicação de pena de suspensão de prerrogativas regimentais ao vereador José Aparecido Segura Ruiz (PTB). Por dois meses, ele ficará proibido de usar a “palavra livre” nas sessões. O petebista disse que vai apresentar recurso à presidência da Casa pedindo anulação da votação.
As punições foram recomendadas pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara em relatório divulgado no dia 18 de abril. Os trabalhos começaram após denúncias feitas pelo vereador Paulo de Tarso Nuñes Chiode (PV) contra Ruiz.
Ele acusa o petebista de quebra de decoro por denunciar suposto ‘acordão’ entre nove vereadores para divisão de cargos após eventual cassação do prefeito Osvaldo Franceschi Junior (PV).
Ruiz ainda foi acusado de legislar em causa própria no projeto das cirurgias eletivas e insinuar que Chiode, ex-presidente da Casa, e Carlos Magon “Lampião” (PV), atual, sabiam do desvio de mais de R$ 16
mil feito pelo ex-assessor Edson Aleixo.
O petebista se absteve de votar e chegou a divulgar gravação onde uma funcionária da Câmara supostamente confirma que Chiode sabia dos desvio. Na sessão, os vereadores chegaram a falar sobre existência de outras supostas gravações.
Segura afirma que vai pedir a anulação da votação com base no artigo 96, item 3, do Regimento Interno da Casa, que veta a participação de vereador em votação quando esta for de seu interesse manifesto e o seu voto for decisivo. “Eu me abstive de votar. E a outra pessoa (Chiode), já sabendo do risco, votou”, declara.
Chiode contesta a alegação do petebista. “Eu tenho o direito e posso sim votar”, diz. Ele também critica a divulgação da suposta gravação. “Se ele tinha essa fita, por que já não usou? Isso é prevaricação”, defende.