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Trabalho: dedicação ?vence? técnica

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 6 min

Comprometimento, dedicação, saber trabalhar em equipe, relacionar-se bem e ter iniciativa. Estas são as principais características do profissional ideal na ótica dos empregadores, segundo pesquisa feita pela empresa Adriano Fabri & Consultores Associados com 204 organizações das principais cidades do País entre os anos de 2010 e 2011.

Além de identificar o perfil do colaborador almejado pelas empresas, a pesquisa ainda mediu a importância do comportamento em relação à competência e experiência profissional. Empresas de pequeno e médio portes, de comércio e serviços, foram maioria na amostra, o que, segundo a pesquisa, é algo bem próximo da realidade brasileira.

As qualidades profissionais destacadas são praticamente as mesmas e aparecem basicamente na mesma ordem de importância. Independente do tamanho ou do segmento, as empresas buscam um perfil muito parecido. (Veja as 10 características por ordem de importância no quadro abaixo).

Segundo o organizador da pesquisa, o consultor empresarial Adriano Fabri, a surpresa não está nos adjetivos apontados, mas sim na ordem em que as características aparecem. “É um perfil muito mais relacionado ao comportamento do que à experiência e qualificação técnica”, destaca.

Fabri ainda aponta que, no momento atual em que o conhecimento, a tecnologia e a informação estão cada vez mais acessíveis, é a equipe que diferencia e qualifica as empresas.


Mudança de perfil


O pesquisador acredita que a troca de posição entre o conhecimento técnico e o comportamento passou a ser notado quando as empresas começaram a perceber a importância das pessoas dentro das organizações, principalmente nas últimas duas décadas. E a partir do momento em que se percebe esse valor, o comportamento passa a ser observado.

 “Com a explosão da informatização no fim da década de 1980 e início dos anos 90, houve a expectativa de que as máquinas resolveriam os problemas e até projetariam a produção, mas em pouco tempo se percebeu que de nada adianta ter boas máquinas e bons softwares se você não tiver uma equipe comprometida e motivada”, aponta o pesquisador.

Por outro lado, hoje há sistemas empresariais e ferramentas administrativas acessíveis e confiáveis a ponto de baixar a ética profissional e a honestidade para a quarta posição entre as dez características essenciais no perfil de um trabalhador. “O sistema assegura que o dinheiro não seja usado de maneira incorreta. E a partir do momento em que essa necessidade diminuiu, ela dá espaço para outros quesitos”.

Profissionais empreendedores e com espírito de liderança. Independentemente de ocuparem ou não cargos de chefia, são esses os profissionais que os contratantes buscam. De acordo com Fabri, tais colaboradores são capazes de imaginar, desenvolver e realizar visões facilmente.

E o comprometimento, que ocupa o topo da lista de resultado da pesquisa, está ligado à capacidade de realizar uma tarefa mesmo que ela exija uma dose de sacrifício extraordinário e até pessoal, como perder um fim de semana, chegar mais cedo ao trabalho...

“Mas estamos falando de sacrifício extraordinário, isso não pode virar rotina até por conta da saúde do trabalhador”.

Como exemplo prático, Fabri cita o contato que teve com uma gerente pós-graduada de uma empresa para a qual prestou serviço. Na visão dele, ela tinha um conhecimento muito bom e era extremamente dedicada, porém, não sabia se relacionar e trabalhar em equipe.

“Essa profissional conseguiu dividir a empresa em duas e hoje não está mais lá, o que prova o quão valioso é o comportamento. Por outro lado, eu já trabalhei com gente sem formação na área de atuação cujo comprometimento impulsionou a busca por cursos de aperfeiçoamento. Ela se dedicou tanto que a empresa saiu de um prejuízo de 16% para o lucro de 15%” e, hoje, fala com maestria sobre a área”, ressalta.  

 

Comprometimento não exclui conhecimento

A consultora de recursos humanos Neusa Regina Romano já prestou serviços para empresas de segmentos variados de Bauru. Ela acredita que o comportamento se destaca em relação à técnica porque a qualificação pode ser treinada, já mudar o comportamento do funcionário demanda mais tempo e causa transtornos.    

“Hoje, é fundamental que o profissional tenha empatia, faça o seu trabalho com atenção aos detalhes, possua solução de continuidade, aponte soluções e não problemas e demonstre vontade de aprender”, aconselha Neusa.

Segundo a consultora, uma pessoa dedicada não perde tempo reclamando da vida e da empresa e não fala mal dos colegas. Quando algo não agrada, ela age para modificar a realidade propondo ideias e soluções.  “Um profissional de sucesso tem mais do que comprometimento ou qualificação. Ele tem as duas coisas juntas”.

Quem divide a opinião de Neusa é a analista de recursos humanos Mariana Bertoni. Ela analisa que as empresas “caçam” os candidatos capazes de unir seus conhecimentos técnicos e experiências profissionais às suas competências: “É o conjunto de habilidades, conhecimentos e atitudes que irá contribuir para que um candidato tenha uma atuação de destaque em um processo seletivo”, finaliza.

‘Fui promovido e o salário triplicou’

Com a evolução da relação humana com o trabalho, ele deixou de ser apenas fonte de sobrevivência para se tornar, também, realização pessoal. Ser promovido, alcançar o topo da carreira e ter o trabalho reconhecido e valorizado pelo empregador é objetivo de quem dedica boa parte da vida à carreira.

“Eu consegui ser reconhecido e valorizado na empresa onde trabalho graças ao meu comprometimento”, acredita Kléber Rogério dos Santos, que é gerente de projetos em uma empresa de softwares de gestão empresarial.

Kléber, que entrou na empresa como consultor de implantação, acredita que o segredo para crescer profissionalmente está em unir uma boa formação técnica com características comportamentais pessoais: “Ou seja, um bom funcionário precisa observar a empresa como um todo, trabalhar em grupo, colocar-se no lugar dos outros... Eu faço isso e as pessoas acabam vendo liderança em mim”.

Durante os sete anos de trabalho na atual empresa, além de chegar à gerência, Kléber conseguiu triplicar seu salário. Ele ainda aponta que, quando focado apenas na formação profissional, o funcionário limita seu crescimento e não corresponde aos desejos do empregador.

“Estar aberto às novidades e a novos conhecimentos também são atitudes fundamentais. Eu, por exemplo, tenho faculdade de sistema de informação, ciências contábeis, além de especialização em gerência de projetos. Mesmo estando focado em determinada atuação, eu não deixo de ler e de me atualizar sobre tudo o que acontece em minha cidade, país e mundo”, deixa a dica.


‘Tempos modernos’


“Ao contrário do que é mostrado no filme “Tempos Modernos”, de Charlie Chaplin, onde os perfis operacionais eram extremamente técnicos e as atividades repetitivas, divididas em etapas e nada criativas, hoje, o trabalho em equipe e a criatividade são fundamentais para o sucesso profissional”, aponta a psicóloga organizacional Keila Isabel Botan.

Segundo a psicóloga, não basta ter graduação e falar diversos idiomas para conseguir um bom emprego ou mesmo crescer profissionalmente. Além de tudo isso, é preciso saber se comunicar, tomar decisões e saber lidar com o inesperado. Ou seja, ela confirma na prática o que especialistas em mercado de trabalho apontam: a evidência do comportamento.

Como exemplo, ela cita um programador de software, um profissional técnico. Segundo Keila, mesmo profissionais como ele precisam saber trabalhar em equipe para que seu conhecimento ganhe novos valores e os resultados sejam mais expressivos.

Postura

Segundo a psicóloga organizacional Keila Isabel Botan, é possível se destacar profissionalmente com conhecimento técnico aliado ao dinamismo, marketing pessoal e até mesmo com a vestimenta adequado para cada lugar e ocasião. “A postura do trabalhador agrega valor à sua técnica e o coloca em evidência”.

Para ela, até mesmo o autoconhecimento é valorizado. Isso porque, quando se conhece, a pessoa tem uma visão ampla sobre seus erros e pode melhorar mais facilmente. “Inclusive muitas empresas já se preocupam com a qualidade de vida de seus colaboradores porque sabem que isso influencia na produção”.

Outra dica para se destacar  é buscar novas respostas para questões já conhecidas. Essa é uma boa forma de ser percebido e reconhecido pelo outro

 

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