Éder Azevedo |
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O prédio do Mercado Municipal de Pederneiras |
O Mercado Municipal de Pederneiras (26 quilômetros de Bauru) foi restaurado e batizado no mês passado. Recebeu o nome de Anísio Alves Pereira, em homenagem a um agricultor do município. A restauração contou com um investimento superior a R$ 250 mil. Mercados municipais estão voltando a ganhar espaço junto aos consumidores, que procuram produtos diferenciados, quer seja pela qualidade ou pelo preço.
Impulsionados pelo sucesso do Mercadão de São Paulo, que depois de muitas décadas foi restaurado e ganhou novo layout, os mercados municipais do Interior estão renascendo aos poucos. Na região de Bauru, há mercados municipais em Botucatu e Jaú.
Nos moldes da Capital, as restaurações dos mercados municipais do Interior têm por finalidade atrair turistas e se transformar em ponto de encontro de pessoas preocupadas com a saúde física e mental. O foco é a qualidade de vida.
A visita aos mercados municipais é um verdadeiro passeio. Em Pederneiras, a restauração contemplou os consumidores com um quiosque em área de convivência, além, é claro, de locais cheios de surpresas de dar água na boca. A peixaria, um dos mais antigos estabelecimentos instalados no local, data anterior ao restauro, oferece uma infinidade de espécies de peixes. A dona não economiza atenção e faz questão de orientar os clientes na compra e confecção do prato.
O box de produtos mineiros é uma viagem a Minas Gerais. Queijos e doces são os fortes do empório. Sugestões não faltam. A proprietária, uma mineira, adora um bom papo regado a orientações sobre os produtos que se encontram à venda. Ela garante que já experimentou todos os itens à venda na loja.
O visitante pode ainda se deliciar com as frutas e verduras fresquinhas da quitanda que há 15 anos ocupa um dos boxes. O artesanato da Uniarte é outro espaço agradável de ser visitado. Peças feitas com a soma da criatividade e do carinho das integrantes de um grupo capitaneado pela prefeitura. A personalização de toalhas e pisos feita por computador também pode ser encontrada no Mercado Municipal de Pederneiras. Há ainda um box que comercializa produtos de limpeza.
Atualmente, segundo a Prefeitura de Pederneiras, existem quatro áreas livres prontas para serem locadas. Os interessados têm que participar de concorrência pública, que deverá ser aberta no meio deste ano.
Segundo o chefe de gabinete da prefeitura, Daniel Camargo, o valor aproximado da locação de cada box é de R$ 236,24. A pessoa interessada não precisa ser moradora de Pederneiras, mas tem que participar da concorrência pública.
Atualmente, o mercado municipal tem cinco áreas ocupadas e quatro desocupadas. O pretendente tem que ganhar a concorrência para ocupar o espaço. “Já temos peixaria, quitanda, produtos mineiros, artesanato e material de limpeza”, detalha ele.
Na região, alguns mercados municipais desapareceram ou foram transformados. Na Estância de Barra Bonita, o imóvel ocupado pelo mercadão virou um mini shopping, assim como em Jaú. Em Bauru, o espaço foi ocupado pelo Teatro Municipal.
Em Botucatu, o Mercado Municipal mantém a tradição, com muitas flores, frutas e hortifrutis.
Mercado Municipal de Pederneiras usa o espaço da velha cadeia
Na década de 40, o espaço ocupado atualmente pelo Mercado Municipal de Pederneiras era uma delegacia com uma cadeia acoplada. A cadeia ficava próxima ao Fórum, à igreja matriz de São Sebastião e à Câmara, lembra a historiadora Anna Carolina Burghes da Fonseca.
De acordo com ela, nos anos 80, foi instalada uma nova delegacia/cadeia num terreno mais alto e se criou uma situação inusitada. Faltava água. Muitas vezes, não tinha água na cadeia nova. Para driblar a situação, todos os presos eram transferidos para o prédio antigo, que, apesar de insalubre, não sofria com a falta de água.
Durante um bom tempo, segundo a historiadora, a polícia contou com os dois imóveis. Um desocupado, que eventualmente era usado, e o novo que nem sempre era possível usar. A insalubridade era grande. Há relatos de moradores que confirmam que alguns presos tiveram tuberculose e outras doenças.
Registros feitos na época frisam que ninguém queria ir para a cadeia. Primeiro porque os moradores não queriam ser tachados de marginais e depois pelo risco de ficar doente.
O corredor que hoje pertence à prefeitura, e está totalmente isolado, servia de banheiro público, mesmo sem ter estrutura para isso. A sujeira era enorme porque não havia estrutura. O pessoal urinava a céu aberto. Com o passar dos anos, a área central foi crescendo e tudo foi remodelado.
O relato mais inusitado sobre a cadeia que a historiadora tem conhecimento foi feito por uma antiga moradora. Ela contou que um prefeito da cidade, que ela não lembrou o nome, ficou preso por livre e espontânea vontade. Foi ele mesmo quem se trancou no interior do presídio porque a população queria pegá-lo, por conta da política.
A delegacia/cadeia deixou de ocupar esse espaço nos anos 80, quando o prefeito era Jácomo Bertolini, pai da atual prefeita.
A delegacia mais antiga foi demolida e em 1983 e as festividades do aniversário da cidade, a festa das Nações, aconteciam nessas vias centrais. Tudo era de terra batida e um parque se instalava no local.
A festa cresceu muito e, no ano seguinte, o então prefeito Jácomo Bertolini construiu o Recinto de Exposições José Augusto de Carvalho Neto, onde a feira é realizada até hoje. Só então foi criado o Mercado Municipal de Pederneiras.
A peixaria e a quitanda são os mais antigos estabelecimentos do local. Este ano, o mercado foi totalmente remodelado. Foram criados novos espaços, construídos banheiros e colocado um quiosque na área de convivência para os frequentadores.
Viagens a Minas inspiraram o empório Tradição Mineira
Mineira de carteirinha, Valéria Martins foi morar em Pederneiras (26 quilômetros de Bauru) por conta do trabalho do marido. Fez muitos amigos, com seu jeito próprio de falar e conquistar pessoas. Três vezes ao ano, a família deixava Pederneiras e ia para Minas visitar os parentes. “Saíamos de Pederneiras com listas e listas de pedidos de amigos. Eles queriam queijos, doces e conservas”, conta ela.
O carro voltava de Minas lotado, segundo relato da comerciante. “O pessoal pedia até artesanato. A gente trazia e, como todos eram amigos, a gente nem tinha coragem de cobrar, acabava dando de presente. Os pedidos cresciam em progressão geométrica. Decidimos, então, montar um ponto comercial. Dessa maneira atenderíamos os pedidos todos.”
O sonho da comerciante era ter um ponto no Mercado Municipal, a ampliação do espaço contemplou o desejo. “Eu vi quando começaram a criar espaço aqui e corri atrás. Fui para Bauru e um arquiteto fez o projeto do jeito que eu queria. A loja é nova e foi inaugurada em dezembro passado.”
Com o espaço pronto, a comerciante partiu em busca dos fornecedores. “Fui buscar os fornecedores em Minas. Experimentei cada um dos itens que vendo aqui. Sei o sabor de tudo que vendo. Comecei só com produtos mineiros, mas a demanda me levou a acrescentar outros itens. Fui incluindo produtos mais procurados, coisa de mineira...”, brinca.
Valéria ressalta que não tem fabricação própria. “Tudo o que vendo vem de fornecedores. Indico receitas e maneira de usar, mas não fabrico nada. O carro-chefe da loja são os queijos. De forma especial, o requeijão de corte.
Falante, como toda mineira que se preze, Valéria vai logo explicando que o requeijão de corte tem sabor diferenciado. É muito famoso em Minas. Dizem que ele tem sabor diferenciado por conta do clima, da região de montanha.
Ela indica o requeijão para ser ingerido com um pão bem crocante. Tem gente que gosta de comer com doces. Pode ser usado em tortas, pode ser derretido e ingerido com geléia. Há também a possibilidade de comer com arroz quentinho.
O queijo meia cura mineiro também é muito vendido. Na sequência na lista dos mais vendáveis tem o queijo minas canastra. “Temos doces de leite de vários tipos, geleias, pimentas, vinhos e rapaduras”.
Os embutidos, os temperos e os grãos vendidos à granel fazem parte da característica do empório. “Temos linguiças, salames, biscoitos e grãos”, completa a proprietária.
Peixaria oferece um mar de opções
A Peixaria Central ocupa outro box do Mercado Municipal de Pederneiras. O local é muito procurado pelas pessoas que procuram uma alimentação saudável. Pelas paredes azulejadas, o cliente vai logo vendo as espécies comercializadas, seja de água doce ou salgada.
Há 16 anos vendendo peixes no Mercado Municipal de Pederneiras, Cibele Cristina Ferraz Aly já é conhecida como Cibele da Peixaria. De bem com a vida, ela comenta que a ideia de trabalhar com peixe surgiu porque casou com um pescador.
“Em casa, temos por hábito comer muito peixe. É uma alimentação saudável, mas sabemos que não são todos os brasileiros que adotam. Não é o prato preferido”, explica a proprietária.
Com a ideia na cabeça, o casal partiu para a ação. “Fomos buscar um local. Essa peixaria já existia e nós compramos. Aos poucos, estamos melhorando. Com a reforma do mercado, também estamos inovando com novas espécies. Trabalhamos com frigoríficos especializados em peixe. Temos fornecedores de Piracicaba, Mato Grosso, Amazonas...”
Cibele confessa que aprendeu rápido a comercializar peixe e a conhecer as várias espécies que vende. “No primeiro mês foi difícil, mas aprendi rápido. Conheço todos os peixes que vendo e indico o melhor para cada tipo de receita.”
Para ser feito no molho, por exemplo, os mais indicados são os de couro e podem ser usados em postas. O pintado, o cação e o dourado caem bem para essas receitas. Se for para fazer assado, o pacu, a piapara e o dourado são os mais indicados.
Dentre os mais raros, ela cita o pirarucu. É um peixe difícil de encontrar. A espécie é de água doce. Em alguns lugares, ele é conhecido como bacalhau do Amazonas. Não tem espinhos. É só carne.
Os peixes mais procurados são a sardinha, filé de merluza, salmão e cascudo. “As pessoas não têm costume de usar o peixe na alimentação diária. Conhecem poucas espécies. Falta o hábito. Muitas delas pedem a maneira de fazer porque não sabem usar o peixe na confecção dos pratos. A sardinha não é a cavalinha como muitos pensam. A sardinha tem ômega três e tem escamas. A cavalinha é um peixe de couro”, ensina.
Para a comerciante, trabalhar no Mercado Municipal vai além de ganhar dinheiro. “Aqui é uma família. Todos se dão muito bem. Faço muitos amigos diariamente. Depois da reforma, o movimento melhorou muito”, comenta ela
O bancário aposentado José Valterlei mora em Macatuba, mas todas as vezes que vai para Pederneiras visita a Peixaria Central. “Passo por aqui de 15 em 15 dias. Levo o peixe para minha mulher fazer, não sei cozinhar”, conta.
Na peixaria, segundo ele, a variedade é maior e, a cada visita, o aposentado aproveita para comprar e experimentar uma espécie nova de peixe.
Quitanda tem cesta de hortifruti
Há mais de 15 anos no Mercado Municipal, a quitanda Fruto da Terra é referência quando o assunto é hortaliças e frutas fresquinhas. A quitanda faz entregas em domicílio e ainda tem conta mensal.
Equipada com balcões refrigerados e bancas muito apetitosas, a quitanda é um dos espaços mais frequentados do Mercado Municipal. É ali que o pederneirense encontra todo tipo de verdura e frutas para uma alimentação saudável. O proprietário Edivani Prata explica que recebe hortifruti de todo o mundo. Na lista dos importados estão as frutas exóticas, como a atemóia e a pitáia, que chegam em Pederneiras através do Ceasa de São Paulo e de Bauru.
“Estamos inovando com verduras semi-prontas, embaladas para irem direto para a mesa, como a couve lavada e picada. Atendemos por telefone e entregamos na casa do cliente.”
União dos Artesãos de Pederneiras mantém um box no Mercadão
A Uniarte (União dos Artesãos de Pederneiras) ocupa um box no Mercado Municipal. Foi a prefeitura que cedeu o espaço para que os artesãos conseguissem comercializar seus produtos. O espaço criado para fomentar a atividade também serve para fazer amigos e amenizar o estresse diário. Tem gente de todas as idades que faz artesanato. “Os médicos têm indicado para quem tem problemas de saúde, especialmente para aquelas pessoas que sofrem com depressão. Aqui no box nós vendemos os produtos que confeccionamos junto ao grupo que funciona em uma sala central. É lá que têm as oficinas”, explica Ana Maria da Fonseca.
Cada artesão confecciona aquilo que quer e coloca à venda. Tem cachecol, mosaico, roupinhas de bebê, panos de prato, móbile, bordados, toalhas. O que mais vende são roupas de bebê, panos de prato e toalhas. São peças mais úteis. Os enfeites são menos procurados. No inverno, o comércio de cachecol é incrementado.
Como não tem funcionários, o espaço da Uniarte é tocado pelos próprios artesãos que fazem um rodízio entre eles. Um fica pela manhã e outro no período da tarde. A associação tem em torno de 20 associados. Cada um deles paga uma mensalidade de R$ 10,00 para cobrir despesas, como energia elétrica.
O pagamento da mensalidade dá ao associado o direito de colocar em exposição os produtos por ele confeccionados. Como o trabalho está no começo, não há quantidade definida. “A gente vai dosando. Vai chegar uma hora que o espaço ficará pequeno. Então, vamos definir quantas peças cada um poderá colocar à venda”, explica Ana.
Todo o valor arrecadado com a venda da peça é integralmente entregue ao artesão que a confeccionou. “No final do mês, fazemos a contabilidade e cada um recebe aquilo que tem direito. Uns vendem mais, outros, menos. Não temos fins lucrativos”.
Bordados personalizados
Quem quer ter uma toalha com o símbolo do seu time predileto, com seu nome ou com uma mensagem bordada tem que conhecer o box capitaneado por Anderson Marcelo Oliveira Reis e Sirlene Hatakeda. Uma máquina computadorizada borda nomes, desenhos, símbolos e praticamente tudo o que o cliente desejar.
No box, o consumidor também encontra pisos personalizados para túmulos. É uma inovação. O piso para túmulo tem alta resistência. São resinados à prova de sol e chuva para área externa.
Não tem valor comercial para o vândalo e é 70% mais barato que o bronze. Nele é possível colocar fotos, cores e frases. É possível fazer o que o cliente quiser, com fundo colorido, com imagem do céu, da cor do túmulo.”
