Damasco - As forças sírias mataram pelo menos dez pessoas neste sábado em um vilarejo ao norte de Damasco, onde desertores do Exército tentavam se esconder. Na província litorânea de Latakia, os militares também entraram em confronto com os rebeldes, disseram ativistas.
O ativista Omar Hamza afirmou que as mortes de Damasco ocorreram depois de um grupo de soldados ter desertado. Os militares foram perseguidos pelas forças leais ao presidente Bashar Al Assad até o vilarejo de Bakha, ao norte da Capital.
Quatro rebeldes e seis civis morreram, afirmou Hamza. O Observatório Sírio para os Direitos Humanos, que tem sede na Grã-Bretanha, também informou sobre as dez mortes, mas disse que todos eram desertores.
Esse foi o mais recente incidente que descumpre o acordo de cessar-fogo, em vigor há duas semanas, negociado pela Organização das Nações Unidas (ONU), que busca uma solução negociada para a revolta no país, que já dura 13 meses e foi inspirada nas rebeliões contra regimes autoritários em outras nações do mundo árabe. Anteontem, um atentado suicida na saída dos fiéis da mesquita Zein al-Abidin deixou ao menos 11 mortos e 28 feridos.
A ONU diz que as forças sírias já mataram 9 mil pessoas desde o início dos confrontos. As autoridades locais culpam militantes financiados pelo exterior pela violência, dizendo que 2.600 soldados e policiais foram mortos.
A agência de notícias oficial Sana afirmou neste sábado que uma unidade militar frustrou uma “tentativa terrorista” de se infiltrar no país pelo Mar Mediterrâneo, embora não tenha dado mais detalhes.
A Rússia afirmou ontem que o governo sírio deve reprimir “com firmeza” os “terroristas” que atuam na Síria.
Tradicional aliado da Síria, que abastece com armas, a Rússia acusou em várias oportunidades a oposição síria de violar o acordo de cessar-fogo alcançado entre as forças governamentais e a oposição armada, uma trégua mediada pelo emissário especial da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan.