Nacional

Material radioativo roubado pode matar

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - Equipes da polícia faziram busca ontem pelo material radioativo que foi roubado no último sábado em Duque de Caxias, região metropolitana do Rio. A substância estava dentro de um carro, que foi levado por criminosos na rodovia Washington Luís.

 

Segundo o engenheiro nuclear Raul dos Santos, técnico do Instituto de Radioproteção e Dosimetria da CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear), o selênio-75 pode causar queimaduras e até necrose que leve à amputação de algum membro. Em caso de exposição prolongada pode até levar à morte.

 

O veículo roubado pertence à Arctest, empresa especializada em serviços de inspeção e manutenção de equipamentos industriais. Já a substância é usada para gamagrafia industrial, uma espécie de raio-x para verificar as condições de soldas em gasodutos e oleodutos.

 

De acordo com a polícia, cinco homens armados abordaram o carro e renderam dois funcionários da empresa que viajavam no veículo. O material está em uma caixa metálica blindada e trancada com cadeado. Se não for violada, a embalagem afasta qualquer risco de contaminação.

 

 

 

Ferro-velho

 

O equipamento industrial que contém uma pastilha do material radioativo Selênio-75 corre o risco de ser derretido em um ferro-velho, para a confecção de objetos, como prateleiras, cadeiras e cofres. 

 

Cem vezes menos potente que o Césio-137, que em 1987 contaminou milhares de pessoas em Goiânia, causando a morte de 60 delas, o Selênio-15 tem o formato de uma pastilha. Suas dimensões são de 3 milímetros de comprimento por 3 milímetros de espessura, com duplo encapsulamento de metal.

 

Uma das diferenças básicas entre as duas fontes radioativas é que a meia-vida do Césio-137 dura 30 anos. A do Selênio-15, 120 dias. Meia-vida é quando o potencial de radiação do material cai pela metade. O físico Ivan Salati, diretor de Radioproteção e Segurança Nuclear da Cnen, disse nesta segunda que a maior preocupação é quanto à abertura da fonte. 

 

Comentários

Comentários