Segundo dados da CNI - Confederação Nacional da Indústria - o PIB (Produto Interno Bruto) da indústria em 2005 era 28% do PIB nacional, passando no último ano para 15%. Em 2011, o crescimento da indústria de transformação foi de 0,1% e para 2012 a previsão é de estagnação. A participação da indústria na geração de empregos reduziu pela metade entre 2002 e 2011. Com o aumento do consumo interno, o cenário se agrava, pois o que se enxerga é o produto brasileiro substituído pelo importado. A competitividade da indústria enfrenta questões como infraestrutura deficiente, sistema tributário caro e complexo, câmbio desfavorável, taxa de juros elevada, energia cara, guerra fiscal entre alguns estados, logística precária e ainda falta de mão de obra qualificada. Um dos desafios do setor é avançar na inovação, sofisticando os métodos produtivos e de gestão, além de reorganizar suas cadeias produtivas, deixando-as próximas ao mercado consumidor. Diante deste cenário, é preciso olhar com atenção para este importante setor , que tanto contribui para o desenvolvimento de nosso país. Há algumas ações efetivas que podem ser priorizadas em nosso município, para apoio ao setor, fazendo hoje o que queremos para cinco, dez ou vinte anos. Estreitar relacionamento entre os instrumentos envolvidos, como universidades, institutos, empresas, agências de fomento e setor público, no desenvolvimento de pesquisa de inovação e sua efetiva aplicabilidade sobre bens e serviços. Incluir na agenda de discussões, incentivos fiscais para empresas que comprovem incremento de inovação tecnológica. Uma boa oportunidade está na lei de atração de investidores, avaliando-se, inclusive, a paridade de incentivos para produtos de fabricação nacional e aqueles com insumos importados.
Promover intercâmbio de talentos da escola para a empresa. Bauru é polo educacional, mas se faz necessário uma atenção para a nossa capacidade de retenção desses profissionais que aqui se formam. Precisamos estar próximos da base de formação desses estudantes e estes precisam do ambiente para desenvolverem suas habilidades. O cenário requer profissionais com visão empreendedora e não apenas técnica. Incentivar as exportações, através de parcerias com as agências de promoção, como os Centros de Negócios da Apex, mais do que só avaliar resultados da Balança Comercial, é preciso criar mecanismos que auxiliem as empresas a atuarem no mercado internacional. Aumentamos os valores exportados, mas não o volume produzido. O número de empresas exportadoras e seu mercado que hoje se concentra na América do Sul permanecem nos mesmos patamares por diversos anos. Os desafios para uma empresa exportar são imensos e onerosos, como adequação de custos, normas técnicas, certificações, design do produto, embalagem e patente. Buscar uma coalização política regional para consolidar, efetivamente, os mecanismos logísticos disponíveis, projetando-os como diferencial no cenário nacional. Os números (Seade/2010) mostram que a economia do Estado de São Paulo avança para o setor de serviços, o que não é diferente em Bauru, onde este setor já representa 49,70% de emprego e renda no município, o comércio 23,46%, a indústria 14,23% e a construção civil 11,71%.
O valor adicionado do PIB industrial de Bauru é de 19,39% em relação ao demais setores. Temos como característica a diversidade de segmentos que equilibram o setor, como metal-mecânico, metalúrgico, eletro-eletrônico, alimentício, gráfico e plástico. A indústria de Bauru passou por várias fases marcadas pela chegada da eletricidade, o estrangulamento da área central com a necessidade de criação dos distritos industriais e a escassez de áreas para ampliação, no entanto, mantém-se firme e arrojada. Desenvolvimento sustentável significa qualidade de vida para a população, portanto, seja indústria, comércio, agropecuária ou serviços, todos juntos geram a força motriz do município, mas pela passagem do dia 25 de maio, Dia Nacional da Indústria, queremos externar nosso orgulho e reconhecimento pelas indústrias de Bauru, que hoje fazem parte da vida de milhares de famílias, não simplesmente com um emprego, mas sabendo que durante 365 dias por ano muitas famílias ganham com dignidade o pão de cada dia. Esta data é comemorada em memória de Roberto Simonsen, que foi engenheiro, industrial, administrador, professor, historiador e político. Patrono da indústria nacional, faleceu em 25 de maio de 1948.
A autora, Giane Vaz, é empresária