Esportes

Noroeste: Encontro em vão

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 3 min

A reunião de representantes do Noroeste com Marco Polo Del Nero, presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), ontem, na sede da entidade foi em vão. Paulo Garcia, filho do presidente Damião Garcia, e Beto Souza, consultor do clube, se encontraram com Del Nero para contestar a arbitragem em partidas do quadrangular final da Série A-2 do Campeonato Paulista e pleitear a anulação dos duelos contra o Penapolense, jogos que, consideram, tiveram os resultados distorcidos por erros da arbitragem. Porém, o que ouviram foi um pedido de desculpas e o reconhecimento que o desempenho da arbitragem deixou a desejar. Nada mais. Assim, a FPF sente muito, mas tudo fica como está.

 

“Eles (Paulo e Beto) conversaram com o Marco Polo, a federação reconheceu que a arbitragem foi muito ruim tanto na A-1 quanto na A-2 e pediu nossa ajuda para irem corrigindo. De efetivo, nada”, constata o vice-presidente do Noroeste, João Paulo Garcia. Desta forma, estão descartadas quaisquer possibilidades de anulação de partidas ou reviravolta no desfecho do quadrangular final que apontou o São Bernardo e Penapolense como promovidos à primeira divisão paulista em 2013. 

 

João Paulo revela que o que era a ameaça de um movimento de vários clubes sofreu esvaziamento e apenas Noroeste e Ferroviária foram à FPF falar com Del Nero. Nem mesmo o Audax, que mostrou revolta com o polêmico resultado de Atlético Sorocaba e União Barbarense, cujo empate com pênalti inexistente aos 54 minutos do segundo tempo lhe tirou o acesso, compareceu à sede da entidade que comanda o futebol paulista.

 

João Paulo admite que as chances de anulação de jogos era pequena. “Eu, pelo menos, a única vez que vi acontecer foi no Brasileiro 2005. Foi a única, nunca tinha visto algo parecido”, lembra. Na ocasião, foi comprovado um esquema de arbitragem com manipulação de resultados de partidas do Campeonato Nacional e 11 jogos foram anulados pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva e novamente disputados, em medida polêmica.

 

O Norusca reclama de um pênalti não marcado a seu favor no empate em 1 a 1, em Bauru, com o Penapolense e de uma penalidade mal assinalada na goleada, em Penápolis, por 4 a 1. Além disso, os noroestinos entendem que o time também foi prejudicado diante do Red Bull, no Estádio Alfredo de Castilho, com a não marcação de outro pênalti na derrota por 2 a 1. Com os resultados, o Norusca terminou em último no quadrangular, com cinco pontos. O São Bernardo subiu, com 12, e o Penapolense ficou com a segunda vaga, alcançando oito pontos. A atuação da arbitragem teria sido, no entendimento dos noroestinos, determinante para que o clube permanecesse na Série A-2. 

 

 

 

Maldade ou ruindade

 

Convicto de que o Noroeste foi prejudicado, João Paulo lamenta o nível da arbitragem em momento decisivo do planejamento da temporada. “É duro, não dá para julgar se (o erro) é por maldade ou por ruindade. Mas o Noroeste foi prejudicado em dois jogos e o Audax, no último jogo contra o Atlético Sorocaba. Seria a mesma coisa de ganharmos por 6 a 0 lá em São Bernardo. Um negócio no mínimo esquisito”, compara. 

 

O vice-presidente alvirrubro considera que o prejuízo não é só de sua família, investidora do clube bauruense, mas dos profissionais que trabalharam todo o semestre e acabaram tendo o esforço atrapalhado. “Não é só a gente, é mais para quem é profissional e vive disso. A gente ainda tem a empresa. Estamos investindo, mas não é o nosso negócio. Duro é ver as pessoas que vivem disso sofrendo. Um cara (árbitro) pode comprometer o trabalho de vários”, lastima.

 

João Paulo afirma que o encontro serviu ao menos para o Noroeste se posicionar e salienta que a reivindicação na FPF foi por idoneidade na condução das partidas. “Ficar quieto não dá. A gente espera que no ano que vem não aconteça mais. Não queremos ser ajudados, só não queremos ser atrapalhados. A gente poderia fazer como outras equipes fazem, pressionar juiz antes do jogo, chutar porta de vestiário. Mas não é nosso perfil, acho que não precisa disso”, conclui o vice-presidente noroestino.

 

 

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