Tribuna do Leitor

Os sentidos das palavras


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No mundo moderno, você deve pincelar e filtrar tudo o que você diz, para não ser mal entendido ou compreendido. Na matéria veiculada dia 30 de abril de 2012 com respeito ao serviço de mototáxi, matéria esta feita pela jornalista Bruna Dias, ela me perguntou o que eu achava dos clandestinos e dos preços praticados por eles. Bem, eu respondi da seguinte maneira: "O clandestino prejudica os outros regulares por conta das cobranças diversificadas de valores para as corridas. Não é correto usurpar o usuário." Usurpar, no dicionário, quer dizer: apoderar-se violentamentede; adquirir com fraude; alcançar sem direito; exercer indevidamente; assumir o exercício de; por fraude ou artifício; tomar à força; obter por fraude.

São várias as definições para a palavra usurpar, no entanto, fui cobrado e criticado por alguns colegas de profissão, tanto clandestinos como cadastrados. Quando disse esta palavra, queria apenas dizer extrapolar, estão extrapolando, ou seja, estão cobrando exageradamente dos clientes. Mas estou vendo que a palavra usurpar cabe sim direitinho para esses que extrapolam, porque esses exercem indevidamente a função de mototáxi, função esta reconhecida por lei, mas que a população em sua maioria desconhece e acaba contratando o serviço destas pessoas que não são legalizadas. Aí sim usurpadoras, tirando vantagem indevidamente destas pessoas que desconhecem a legalidade do serviço de mototáxi e acabam comprando um serviço caro sem nenhuma segurança. A clandestinidade existe por omissão dos governos e seus governantes, se eles parassem de olhar para seus umbigos veriam que à frente existem pessoas que são pais de famílias que querem trabalhar, mas não conseguem se adequar às regras que esta minoria os obriga a aceitar.

O dia em que começarem a pedir atestado de antecedentes criminais para muitos políticos, carros de no máximo de sete anos de uso e acabarem com auxílio-paletó e exigirem que usem coletes com os dizeres "sou político", aí sim vão sentir na pele o que é ser descriminado profissionalmente.

Eliezer Assis

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