Brasília - O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou ontem que deve abrir um inquérito para examinar as relações do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), com o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.
Investigações da Polícia Federal sobre os negócios de Cachoeira sugerem que o empresário mantinha pessoas de sua confiança em postos-chave do governo goiano para defender seus interesses.
Escutas telefônicas feitas pela polícia sugerem que operadores de Cachoeira levaram dinheiro para a sede do governo de Goiás em duas ocasiões no ano passado.
O próprio Perillo pediu há duas semanas que o procurador abrisse inquérito para investigá-lo. Ele diz que seu relacionamento com Cachoeira é superficial e nega ter recebido dinheiro do empresário.
A abertura do inquérito transformará Perillo no segundo governador a ser investigado por causa de suas ligações com Cachoeira, depois do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT).
A CPI criada pelo Congresso para examinar as relações de Cachoeira com políticos e empresários ainda não decidiu se investigará os governadores envolvidos também.
A oposição quer colocar em votação juntos os requerimentos que pedem a convocação de Perillo, Agnelo e o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), para evitar que somente o tucano Perillo seja chamado a se explicar e os governistas Agnelo e Cabral sejam poupados.
Controlada por aliados do Palácio do Planalto, a cúpula da CPI é contra a ideia. Com 25 votos contra os 7 da oposição na CPI, o governo tem força para aprovar o que quiser.
Lereira ameaça PSDB
Pressionado por colegas do PSDB a se licenciar do partido, o deputado Carlos Alberto Lereia (GO), amigo de Carlinhos Cachoeira há 25 anos, tem contra-atacado com o argumento de que outros integrantes da sigla também são alvo de investigações.
Lereia tem dito internamente que, se o caso dele for conduzido para licença ou expulsão, ele vai “soltar o verbo” para que o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) tenha o mesmo tratamento.
Segundo o líder do PSDB na Câmara, Bruno Araújo (PSDB-PE), nenhum integrante da bancada pediu alguma decisão sobre o colega. Se dentro da legenda a situação de Lereia é, por ora, tranquila, na Corregedoria da Câmara o deputado Jerônimo Georgen (PP-RS) deve pedir a abertura de um processo por quebra de decoro.