“Eu ficaria doente”, resumiu o diretor da Divisão de Apoio Operacional (DAO), Fabiano de Lucas Gavaldão, referindo-se à situação em que se encontra a frota do Departamento de Água e Esgoto (DAE). Isso porque cinco das 16 retroescavadeiras da autarquia estão paradas por terem quebrado. Com vivência na iniciativa privada, o diretor afirmou como estaria se sentindo caso essa fosse a realidade de uma empresa do setor.
Na verdade, se o mesmo fato acontecesse em empresa privada, a chance do responsável pelo setor de compras ser demitido era real. No setor público, a negligência, falta de preparo ou incapacidade podem ser “acomodadas”. Este é um dos desafios do governante de plantão, fazer a “máquina pública funcionar”, cuja missão, no caso do DAE, conta até com comissão de diagnóstico instalada.
No caso da reforma ou recuperação do maquinário, os trâmites necessários e exigidos para os processos de compras no poder público são as citações atribuídas por Gavaldão para o fato de cinco máquinas estarem paradas simultaneamente.
Vale lembrar que as retroescavadeiras são utilizadas nas manutenções, extensões de rede e ligações novas de água e esgoto da cidade. As máquinas encostadas não são substituídas, aumentando a defasagem no maquinário da autarquia. Enquanto isso, servidores e população “esperam” de mãos atadas pela inexplicável demora no DAE para que a compra ou aquisição do serviço par reparo seja efetivado.
Demora
Uma das máquinas (R 23) está parada há mais de cinco meses e a outra (R 14) há pelo menos três. Há três meses também Gavaldão assumiu o cargo de diretor da DAO. “Elas já estavam quebradas e entendemos que o conserto simples com a substituição de peças não seria suficiente. Precisávamos também de uma ação preventiva para que elas não voltassem a dar problemas tão cedo”, explica. Nesse sentido, as duas retro vão ser inteiramente reformadas, da mecânica à pintura. O diretor afirma que o custo total da medida será de R$ 20 mil e o edital de licitação está sendo finalizado pela Diretoria de Compras da autarquia. “Nós temos muita dificuldade.
O procedimento de consulta de preços é complexo e leva tempo, pois não há muitos fornecedores credenciados”, afirma. Como a reforma de equipamentos, mesmo pesados, não é novidade no setor público, o argumento do diretor também cai por terra.
As outras três retroescavadeiras serão consertadas apenas pela troca de peça. A primeira (R 17) quebrou no dia 12 de março, com problemas no transmissor. A segunda (R 26) teve problemas no cubo da roda dianteira e foi para a manutenção no dia 12 de março. Já a última (R 21), está parada há 10 dias, também por problemas no transmissor.
Segundo Gavaldão, o conserto dessas máquinas é mais simples e a compra das peças já está sendo providenciada pelo setor de Compras. Ele ressalta que não pode garantir, mas a expectativa é de que o problema seja sanado em 10 dias. O custo também deverá ser bem inferior ao das reformas das outas duas retroescavadeiras. O diretor, porém, disse que ainda não é possível precisar o valor, pois o processo está em fase de cotação.
Renovação
O DAE está preparando, para as próximas semanas, licitação para a aquisição de mais cinco retroescavadeiras. Três delas vão apenas substituir outras que já não apresentam condições de uso. Portanto, quando conseguir comprar as novas máquinas, a autarquia terá 18 retroescavadeiras, caso não haja outras encostadas para a reforma.
Segundo Fabiano Gavaldão, essa compra não está incluída nos R$ 3 milhões que serão investidos na renovação de 20% da frota do DAE, com recursos obtidos pelo Refinanciamento Fiscal (Refis). Com essa origem, serão, ao todo, R$ 6 milhões repassados da Prefeitura de Bauru à autarquia, sendo que metade será destinada à produção de água e a outra, a compra de máquinas.
Com este dinheiro, serão adquiridos cinco caminhões basculantes, três caminhões-pipas, um caminhão comboio, um caminhão hidrojato/limpa fossa, um caminhão leve ¾, oito veículos leves (tipo utilitário), cinco caçambas basculantes e cinco motos para carga.