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Sustentação do crescimento

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

O governo Federal tem travado um verdadeiro braço de ferro com o mercado financeiro. Reduziu a taxa básica de juros, envolveu os bancos oficiais na queda dos juros na ponta, para o tomador de recursos, e vem mantendo um discurso firme, chamando os bancos privados para dança. Entre um desconforto aqui, problemas operacionais acolá, podemos avaliar que o governo está atingindo seu objetivo, mexendo, inclusive em algumas travas como a caderneta de poupança, que se apresentava com impeditiva para uma queda mais acentuada nos juros.

O alívio na política monetária pode ser entendido como uma ação firme, mas de curto prazo, que não equaciona a falta de sustentação do crescimento da economia brasileira. É evidente que chega um momento que não dá mais para esperar, contudo, é preciso mexer também na causa do problema. Um dos problemas vem da política fiscal. A carga tributária brasileira atingiu um patamar limite, onerando principalmente o setor produtivo do país. Esta carga tributária elevada mascara a gastança sem controle do governo. Os gastos públicos concentrados em custeio, ou seja, em manutenção da máquina pública, não geram excedentes para canalizar recursos para investimentos.

Esta questão da falta de recursos para investimentos é outro fator inibidor do crescimento. O país possui inúmeros gargalos, que se não forem equacionados, representarão novas travas ao crescimento equilibrada da economia. Sem investimentos em portos, aeroportos, estradas, armazéns, energia, enfim, na infraestrutura como um todo, não adianta pensar em crescimento econômico. Se a demanda aumenta, para não gerar desequilíbrio no mercado, é preciso ampliar a oferta de bens e serviços, e esta ampliação não se consolida sem investimentos em infraestrutura.

Além das questões já pontuadas restam ainda as tão alardeadas reformas estruturais. Pouca coisa ou quase nada tem sido feito, por exemplo, no âmbito do judiciário, tornando os litígios mais ágeis, gerando custos menores na gestão processual. A legislação trabalhista não avançou. Se observa uma verdadeira indústria em torno desta questão, e o que é pior, com uma equação perversa: o empresário paga muito e o funcionário fica com pouco. Na outra ponta o Estado como gestor do patrimônio púbico tem que ser reinventado, reduzindo a corrupção, desvios e a baixa qualidade do serviço público, ou seja, é preciso uma reforma administrativa. Como já colocado a reforma tributária tem que sair do papel.

Enfim, os desafios são enormes e não é possível continuar adiando. Insisto: a redução dos juros tem que ser perseguida. É necessário equacionar os problemas de curto prazo, mas também é fundamental avançar na sustentação do crescimento. Lembram a figura do voo da galinha? Pois é, se nada estruturante for feito, a economia brasileira continuará com esta avaliação. A sustentação do crescimento econômico é caminho para tornar nosso país a potência que todos desejam, mas é preciso trabalhar para que isso aconteça.

O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, presidente da Acib e articulista do JC

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