Internacional

Atentado na Síria deixa 55 mortos

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Faltavam poucos minutos para as 8h (2h em Brasília) quando os explosivos foram detonados numa área movimentada no sul de Damasco, em frente a um prédio dos serviços de segurança.

 

De tão intenso, o impacto provocado pelas explosões foi sentido a quilômetros de distância, produzindo um cenário de devastação que lembrou os piores momentos da guerra civil no Iraque.

 

O atentado salienta ainda mais a complexidade da missão dos observadores da ONU, que estão no país para inspecionar o frágil cessar- fogo em vigor há um mês.

 

Ninguém assumiu a autoria, repetindo o roteiro de ataques recentes: o regime culpou “grupos terroristas com ajuda estrangeira” e opositores acusaram o governo de forjar o atentado. 

 

A TV estatal colocou no ar imagens ao vivo e sem censura do massacre, mostrando corpos despedaçados e carbonizados, dezenas de veículos em chamas e duas grandes crateras na rua. As explosões destruíram a fachada de um prédio de nove andares que abriga a maior base da inteligência militar do país, responsável por coordenar a repressão a opositores.

 

Detonados quase simultaneamente, em horário e local de grande movimento, eles atingiram principalmente civis, mas o governo diz que há 11 militares entre as vítimas.

 

 

 

Terror

 

Várias crianças a caminho da escola foram mortas, segundo a imprensa estatal, que mostrou imagens de cadernos e cópias do Corão queimados. “Esse é mais um exemplo do sofrimento causado ao povo sírio”, disse o general norueguês Robert Mood, chefe da missão da ONU, em visita ao local.

 

“Eu apelo a todos, dentro e fora da Síria, que ajudem a pôr um fim à violência”, acrescentou Mood, cercado por uma multidão que gritava palavras de apoio a Assad e acusava os governos do Qatar e da Arábia Saudita de financiar o terror no país.

 

Embora os principais centros urbanos estejam sob forte segurança, uma série de atentados a bomba foram cometidos nos últimos meses em Damasco e outras grandes cidades, como Aleppo.

 

O uso de carros-bomba e de suicidas reforçou suspeitas de que grupos ligados à rede Al Qaeda tenham se estabelecido no país a fim de repetir um cenário de caos sectário como o do Iraque. A revolta que começou com protestos pacíficos em março de 2011 ganhou ares de guerra civil à medida em que milícias armadas.

 

 

 

Condenação

 

O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-moon, e os membros do Conselho de Segurança da organização consideraram “atrozes” os atentados que aconteceram ontem na Síria. “Os membros do Conselho de Segurança condenam nos termos mais enérgicos os ataques terroristas ocorridos em Damasco e que causaram numerosos mortos e feridos”.

 

Além da condenação, o conselho pediu o cumprimento das resoluções do plano de paz proposto pelo enviado especial da organização, Kofi Annan, ao governo e à oposição do país árabe. 

 

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