Agudos – A Polícia Civil prendeu ontem à tarde, em Agudos (13 quilômetros de Bauru), mais um integrante da quadrilha do “falso prefeito”, acusada de aplicar golpes em empresários de diversos Estados (leia mais abaixo). Priscila de Souza Gomes, 27 anos, disse na delegacia que havia sido “recrutada” pelos golpistas e convencida a abrir contas bancárias para o depósito dos valores. Pelo “serviço” prestado, ela ficava com 10% do dinheiro ilícito.
Segundo o delegado titular de Agudos, Jader Biazon, Priscila confessou ter intermediado o recebimento de três depósitos, dois no valor de R$ 6 mil e um no valor de R$ 25 mil. A identificação das vítimas, porém, ainda será investigada. Apesar de ela estar com a prisão temporária decretada pela Justiça por cinco dias, até o fechamento desta edição, o delegado não sabia se iria ser dado cumprimento ao mandado.
“Apesar da gente ter representado pela decretação da prisão temporária dela e do promotor e juiz terem concordado, nós vamos inquiri-la a respeito de vários fatos e circunstâncias do caso e, ao final dessa oitiva dela, vamos analisar se é o caso de, efetivamente, dar cumprimento a esse mandado de prisão ou não”, diz. “Numa análise preliminar, o envolvimento dela, em relação ao dos demais, é de menor importância”.
A mulher contou que soube do golpe através de uma amiga, que tinha a função de abrir contas correntes para que o grupo depositasse os valores obtidos de forma ilícita. “Essa amiga apresentou para ela o investigado Ewerton, o ‘Gordo’, e ele acabou assediando a Priscila”, diz Biazon. “Agora, nós vamos analisar as informações bancárias que temos para verificar quantos depósitos foram efetuados na conta dela e quem são as vítimas”.
O delegado não descarta participação de outras pessoas no esquema criminoso e declara que as investigações prosseguem para tentar identificar esses supostos envolvidos. “Normalmente, eles usavam mulheres para não despertar suspeitas”, diz. Hoje, ele deve solicitar à Justiça a prorrogação da prisão temporária dos quatro homens presos anteontem para que os fatos possam ser melhor apurados. Todos eles irão responder por estelionato e formação de quadrilha.
O chefe da quadrilha desarticulada anteontem, José Arnaldo Paschoal de Abreu, 61 anos, conhecido como Zezo, é acusado de utilizar o nome de prefeitos de cidades de vários Estados para pedir doações a empresas, alegando que os valores seriam usados para reformar escolas e creches.
Pelo menos 50 golpes foram identificados pela polícia em São Paulo, Minas Gerais e Paraná, incluindo alguns que ficaram só na tentativa. Além do ‘falso prefeito’, preso em Bauru, a polícia deteve em Agudos os ‘assessores’ Ewerton dos Santos Cavalcante, 36 anos, conhecido como Gordo; Eduardo dos Santos Barbosa, 23 anos, e Leonardo Zocca Lázaro, 21 anos.
De acordo com o delegado Jader Biazon, em um vídeo obtido junto aos operadores dos sistemas de segurança dos bancos, José Arnaldo é flagrado transferindo R$ 6 mil para sua conta e retirando R$ 2 mil em dinheiro. Em outro vídeo, Eduardo dos Santos Barbosa é filmado quando fazia saque de R$ 5 mil.
Entre as vítimas do grupo estão frigoríficos, construtoras, pavimentadoras e empresas fornecedoras de cestas básicas para prefeituras. Para que os empresários não descobrissem o golpe ao telefonar para as prefeituras, os acusados informavam a eles um número de celular que seria do suposto prefeito.
Conforme as investigações, Ewerton era responsável por aliciar as pessoas sem restrição bancária que iriam abrir as contas correntes para o fluxo de entrada de dinheiro dos doadores. Essa função era de Eduardo dos Santos Barbosa, Leonardo Zocca Lazaro e Priscila de Souza Gomes.
O delegado seccional de polícia de Bauru, Marcos Buarraj Mourão, declarou que os empresários, ao fazerem as doações ao falso prefeito, visavam ser chamados por ele para participar de futuras licitações realizadas pela administração.