Brasília - O governo negou ontem que tenha interferido nas negociações sobre a mudança do controle da Delta Construção. Em nota oficial divulgada pelo Planalto, o governo diz que “são falsas (...) as ilações de que a referida operação teve aval do governo”.
A holding J&F, controladora de empresas como o frigorífico JBS e a Vigor, confirmou nesta semana o acordo para assumir a gestão da Delta Construções.
A empreiteira teve seu nome ligado ao escândalo envolvendo o empresário de jogos ilegais Carlinhos Cachoeira, preso em fevereiro por uma operação da Polícia Federal.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, o empresário José Batista Júnior, um dos controladores do frigorífico JBS, disse que o governo foi consultado e deu aval à decisão de sua família de comprar a construtora Delta para impedir a paralisia de suas obras.
O empresário chamou de “conversa de bêbado, de louco” a versão de que a holding teria negociado a compra sem consentimento do governo Dilma Rousseff. A nota divulgada pelo Planalto diz ainda que há um processo na CGU (Controladoria Geral da União) de decretação de inidoneidade da Delta.
Caso a CGU conclua pela condenação da empreiteira, a Delta estará “impedida de ser contratada pela administração pública nos termos da Lei 8.666 de 1993, com consequências econômicas presentes e futuras”.
Novo presidente
A J&F definiu ontem o novo presidente da empreiteira Delta. O cargo será ocupado por Humberto Farias, ex-presidente da usina de álcool e açúcar Renuka. Segundo o comunicado, a Delta terá a “gestão profissionalizada a partir dos mais altos padrões de governança corporativa (transparência)”. “Nosso objetivo é honrar os contratos que serão auditados e preservar os mais de 30 mil empregos da Delta”, diz acionista Joesley Batista,