Política

Campanha em cima da hora custa mais

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

Campanhas eleitorais sem planejamento estrutural e de conteúdo resultam em produtos ruins e bem mais caros para os candidatos a vereador e prefeito. Esta é uma das avaliações do especialista em marketing eleitoral Marco Iten, que abriu a tarde de palestras do “Fórum eleições 2012, legislação, campanha e voto”, ontem, na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), na avenida Nações Unidas. O evento foi uma realização conjunta da OAB com a Associação Paulista de Jornais (APJ).

 

Após 32 anos trabalhando com campanhas político-eleitorais, Iten observou que milhares de candidatos continuam executando velhas fórmulas que consomem muito dinheiro sem resultado. “Os partidos políticos estão distantes da realidade social e, com eles, muitos candidatos também repetem ações que só desperdiçam recursos. É possível fazer uma campanha para vencer com muito menos recurso que as campanhas tradicionais, atingindo públicos e conteúdos que outros candidatos não vão atingir. Para isso é preciso começar por planejamento estratégico. Quem faz em cima da hora faz correndo, atropela, erra muitas vezes, faz mais caro e gera um produto ruim, sem foco em conteúdo”, cita.

 

De outro lado, apesar dos nós ainda a serem desatados pelo amadurecimento do recente período de redemocratização no país, o palestrante avalia que “há uma classe política nova renovando silenciosamente a forma de fazer campanha com eficiência e mais barata”. Para romper com velhas manias, como despejar milhares de reais em santinhos nas ruas e rodar peruas Kombi por todos os cantos da cidade com som alto, é preciso conhecer os novos métodos de campanha a começar pelo planejamento estratégico”.

 

Um dos passos é estudar qualitativamente o que o eleitor quer e o que pensa, identificar o ambiente local por regiões e suas demandas, através de pesquisa não de medição de intenção de voto mas de levantamento de conteúdo, apostar na qualificação do candidato e aplicar comunicação correta e eficiente. “A segmentação dos nichos eleitorais, com identificação de representação política em cada setor e região, como com quais igrejas, sindicatos e organizações estão cada candidato, a identificação de 10 a 20 grandes temas e demandas populares e a comunicação direta e com definição de elementos para a proposta específica do candidato são essenciais. Mas você senta na frente dos velhos políticos, ou de políticos novos mas que incorporaram o jeito antigo de fazer campanha, e eles não querem nem ouvir isso”, aborda Iten.

 

Outro erro comum, segundo ele, é a apresentação de programas de governo extensos e que, na essência, não dizem ou não propõem nada de concreto. “O eleitor não lê o material, não gosta desse material e não acredita nesse material. É preciso definir temas centrais e focar comunicação nessas diretrizes para distribuição de material de campanha”, comenta o profissional de marketing político.

 

 

Elementos de campanha

 

Marco Iten acha que pesquisa de intenção de voto no período pré-eleitoral é jogar dinheiro fora. Ele defende pesquisa qualitativa para decodificar o ambiente político da cidade, as demandas sociais e a dinâmica do eleitor naquele momento. Realizado o planejamento sobre o que terá de ser produzido, como e quando dá fôlego à candidatura. “Também deve ser antecipada a definição de estrutura física, jurídica e de uma equipe básica, com marketing, jornalismo e contador, por exemplo. Também é preciso demarcar o D-zero, o marco zero para a programação do adequado de campanha em razão das estratégias”, acrescenta.

 

Geoprocessamento, com a divisão da distribuição do eleitor por regiões, características sócio-econômicas, indicadores das áreas de educação, lazer, meio ambiente, indústria, serviços, comércio e outros elementos, gera panorama completo para planificar conteúdo e ações de campanha. “O banco de dados de informações da campanha precisa ser realizado antes, com tempo, para ser o mais completo possível e fornecer elementos que serão diferenciais na disputa. Essa ação permite identificação das demandas e distribuição das demandas”, completa Iten.

 

 Outros componentes da formação da campanha e do processo eleitoral são a identificação do perfil do candidato, de correções em relação a sua postura e conteúdo, de eliminação de vícios verbais ou que descontruam sua imagem, organização de discurso e da imagem a ser apresentada de um produto chamado candidato.

 

 

  • Serviço

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    Interessados em levantar dúvidas ou se comunicar com o palestrante Marco Iten podem contatá-lo pelo (11) 2068-1873, acessar o www.marcoiten.com.br ou enviar e-mail para marcoiten@marcoiten.com.br

     

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