Bruxelas - As autoridades europeias estão trabalhando em planos de contingência no caso de a Grécia sair da zona do euro, afirmou ontem o comissário comercial da União Europeia (UE), Karel De Gucht, enquanto Berlim disse estar preparada para todas as eventualidades.
O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schaeuble, um dos críticos mais ferrenhos da Grécia, disse que a turbulência do mercado, alimentada pela crise da dívida da zona do euro, pode durar um ano ou dois.
“Quanto à crise de confiança no euro ... em 12 a 24 meses, vamos ver uma calmaria nos mercados financeiros”, afirmou.
Os formuladores de políticas insistem que querem que a Grécia permaneça na zona do euro, mas o comissário de Comércio da União Europeia, Karel De Gucht, disse que a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu estavam trabalhando em cenários caso o país tenha que sair.
“Um ano e meio atrás, talvez houvesse o risco de um efeito dominó”, disse De Gucht ao jornal belga em língua holandesa De Standaard.
“Mas hoje há no Banco Central Europeu, bem como na Comissão, serviços que trabalham em cenários de emergência se a Grécia não conseguir. A saída grega não significa o fim do euro, como alguns dizem.”
Especulações sobre tal planejamento têm sido abundantes, mas os comentários de Gucht, que foram confirmados por uma pessoa próxima a ele, pareciam ser a primeira vez que um oficial da UE reconheceu a existência de contingências sendo elaboradas.
Um porta-voz do Ministério das Finanças alemão, questionado sobre os planos para uma possível saída grega, disse sem dar mais detalhes: “O governo alemão tem, naturalmente, a responsabilidade com seus cidadãos de estar preparado para qualquer eventualidade”.
Mas um porta-voz da Comissão Europeia, o braço executivo da UE, escreveu no Twitter que não havia planejamento ativo.
“A Comissão Europeia nega firmemente (que) está trabalhando em um cenário de saída para a Grécia”, escreveu Oliver Bailly. “A Comissão quer que a Grécia permaneça na zona do euro.”
As ações no mundo caíram e os custos de empréstimos na Alemanha atingiram recordes de baixa conforme incerteza sobre o futuro da Grécia na zona do euro e o aprofundamento da crise bancária espanhola reforçaram a busca por ativos seguros.
Os investidores foram abalados por um rebaixamento nos ratings de 16 bancos espanhóis pela Moody’s Investors Service, embora a ação já fosse esperada.
O sentimento azedou a tal ponto que uma pesquisa de opinião mostrando que os gregos estão voltando a apoiar os partidos que apoiam
Referendo Grego
Em uma conversa com o presidente grego Karolos Papoulias, Merkel “lançou a ideia de organizar um referendo junto com as eleições para questionar os cidadãos gregos a respeito de seu desejo em permanecer na zona do euro”, comunicou o escritório do primeiro-ministro interino, Panayotis Pikramenos, em uma nota oficial.
Poucas horas depois do anúncio, o governo alemão negou que a chanceler tenha feita a proposta, a tempo das novas eleições legislativas.