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Tinta e música invadem madrugada

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 2 min

Ainda na recordação da primeira prisão efetuada pela policial militar Patrícia Gonçalves Pereira, que participa da reportagem na página anterior, ela concorda que “o primeiro flagrante” ninguém esquece. “Foi grande, até saiu no jornal”, relembra. Contudo, para que as ações policiais recebam o merecido registro nas páginas impressas, outros profissionais também precisam fazer “companhia para as corujas”.

Após os jornalistas concluírem as edições e terminarem seus também nada convencionais expedientes,  outros trabalhadores entram em cena para garantir o jornal fresquinho de todas as manhãs.

São os oficiais de impressão, que sujam as mãos de tinta para garantir o pleno funcionamento das máquinas rotativas nos departamentos gráficos das empresas jornalísticas. No caso do Jornal da Cidade, entre esses funcionários, uma mulher também se destaca nas altas horas.

Moradora do Jardim Redentor, a auxiliar de impressão Maria da Glória Silva de Souza conta que encara a nova experiência (está contratada há duas semanas) como um desafio a mais. “Estou gostando muito e quero mais é vencer o desafio”, dispõe-se. “A capacidade de concentração mostra o quanto somos capazes”, ensina.

No banco do passageiro do carro da empresa, ela se dirige a mais um turno de madrugada focada em fazer o melhor na nova profissão.

Novidade, conta ela, apenas no trabalho, já que emprego noturno não é novidade na família de Maria da Glória, cujo marido é torneiro mecânico e larga o batente apenas às 2h da madrugada.

Desta forma, eles fazem malabarismos para dar a merecida atenção à filha Amália, de 11 anos. “Nossa rotina está mudada, mas estou muito otimista”, contenta-se. “O corpo ainda quer dormir, mas vou me acostumar”, projeta. “Vou aproveitar essa nova fase com toda a garra, mesmo que ela esteja escurecida por tinta”, diverte-se a auxiliar de impressão.


Conforme a música


A auxiliar de impressão da central gráfica do JC conta que está em fase de adaptação, mas procura descansar durante a tarde para recarregar as energias antes do motorista da empresa lhe pegar em casa rumo a mais uma jornada pela madrugada.

Dançar conforme a música mas sempre com a preocupação em manter a qualidade de vida é o que as trabalhadoras corujas devem fazer, alertam especialistas. E tem gente que segue, literalmente, esse ritmo há anos. Cantora em três bandas, em três estilos musicais distintos, a vocalista Regina Mancebo se divide entre a gafieira, pop/rock e MPB. Há mais de duas décadas, como a maioria dos artistas, ela tem nos palcos noturnos o “escritório de trabalho”.

Há tanto tempo nos palcos e na noite, apesar de longas jornadas, com direito a oito horas seguidas de shows ou apresentações consecutivas em locais diferentes, ela conta que há poucos motivos de incômodo na profissão noturna, além dos bêbados chatos que engrossam a turma do “toca Raul”.

“Aliás, a música atual está tão ruim que eu ficaria feliz se pedissem ‘toca Raul”, diverte-se Regina, cujo melhor remédio para curar a canseira da madrugada é, justamente, acordar bem longe dela. “Nunca acordo antes das 10h da manhã.”

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