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Outono-inverno: é hora de perder peso

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 7 min

O que é melhor: entrar em forma no verão ou antes dele? Nem é preciso perder calorias para saber a resposta: antes. É o que recomenda a lógica do metabolismo humano (leia mais nas páginas 12 e 13). Afinal, durante outono e inverno, há a tendência de se comer mais - e melhor. Nossa função metabólica, explica a nutricionista Eliane Petean Arena, cresce em torno de 20% a mais para queimar a energia necessária. Ou seja: é preciso, sim, fazer 20% a mais de atividade física para equilibrar.

Em outras palavras: este é período melhor para se perder peso, incentiva Eliane. “Todos acham que no inverno é difícil perder porque a fome aumenta. No entanto, se a pessoa mantém uma alimentação quente balanceada e ingere alimentos termogênicos (que ajudam a acelerar a queima de calorias durante a própria digestão), consegue perder peso rapidamente”, assegura.

Entre as alternativas para auxiliar no emagrecimento durante outono e inverno, sugere a nutricionista, estão os chás. “O chá verde é fantástico”, recomenda. “É um ótimo antioxidante. Ajuda a eliminar as toxinas. Mas quem é hipertenso não pode tomar”, adverte.

Segundo ela, além disso, o consumo máximo desse tipo de chá recomendado, diariamente, é de 500 ml. “O chá tem funções terapêuticas em nosso organismo. O ideal: 250 ml de manhã e a mesma dosagem à tarde. Deu fome? Tome um copinho de chá verde no lugar do café”, exemplifica.

Este chá acelera a função metabólica. Outra opção, lembra ela, é o chá de bisco. Contraindicado para pessoas com intolerância a frutas vermelhas, essa é outra substância termogênica (alimentam o gasto calórico do organismo durante a digestão).

Gordura? Sim, mas sem sair da linha


Nos dias mais frios, ainda é possível ingerir gordura sem sair da linha. “Precisamos de alimentos gordurosos”, tranquiliza. “Então, o melhor é buscar alimentos com a gordura saudável”, direciona a nutricionista Eliane Petean, que para a ocasião, recomenda um “kit” saúde. “Duas castanhas-do-pará, duas macadâmias, duas amêndoas e duas nozes”. “Substitui um dos lanches, manhã ou tarde. A quantidade é pequena, mas a sensação de saciedade é grande”, avalia. “Não é uma gordura que vai aumentar o colesterol. Quem tem deficiências de gordura boa no sangue, é bom que coma esse tipo de alimento”, receita.

Ingerir carboidratos, também com maior demanda quando a temperatura cai, não significa necessariamente ganho de peso. Para contrabalancear o maior consumo de alimentos ricos em carboidrato, convertidos em glicose no organismo, a saída, observa a nutricionista, é conjugar com a ingestão de fibras. “Elas é que controlam a quantidade de glicose que vai ser absorvida ou não”, aconselha. “O organismo vai pedir mais gordura e carboidrato”, acrescenta.

“Aí é que vem a sopa, o macarrão. Um tipo de macarrão indicado e que não fermenta, sem aumentar a barriga, é o macarrão de arroz”, sugere.

Exercícios devem ser proporcionais

Assim como a ingestão calórica, a carga de treinamentos para quem pratica algum esporte visando tanto à saúde quanto a boa aparência é maior. Não que o “atleta” em questão vai ser submetido a maratonas ou toneladas na musculação. O aumento na carga de treinamento, observa o personal trainner Wellinsten Sidrack Pires, é proporcional ao maior número de calorias no prato.

“Não é nada exagerado”, considera. “No frio, é aconselhado um acréscimo de 20% a 30% na carga de treinamento”, mensura o instrutor. “No entanto, cada organismo tem seu funcionamento. A quantidade exata é muito particular de um indivíduo para outro”, pondera.

Segundo ele, mais do que iniciar uma atividade física em determinada estação, o fundamental é a constância e não deixar de praticar seja por causa do frio ou calor. “O que não pode mesmo é parar porque o clima esfriou”, considera. “Quem está acostumado a treinar, se decide parar de repente, sente falta, com o corpo mais cansado e indisposto”, acentua Sidrack.

O personal confirma que boa parte dos alunos costuma “fugir” no frio e quando chega setembro, voltam correndo, literalmente, para a academia. “O pessoal corre atrás depois. Muita gente treina, durante o calor, entre três e quatro meses, depois para. O ideal seria que continuasse durante todo o ano”, reitera.

De acordo com o instrutor físico, uma pessoa sedentária tem uma carga de treinamento estimada em três horas semanais, divididas em três dias.

Uma vantagem do iniciante que resolve sair do sofá para um estilo de vida mais saudável e, consequentemente, com uma silhueta mais caprichada para o verão, é a perda de peso acelerada: um incentivo a mais para os preguiçosos da estação. “Quem deixa o sedentarismo, geralmente, perde mais peso”, incentiva.

Entenda agora como ‘funciona’ sua fome

“Quando começa o frio, de fato, sentimos mais fome”, conta a nutricionista Eliane Petean Arena. “Há um gasto maior no organismo para manter a temperatura. Sentimos necessidade de ingerir alimentos mais calóricos mesmo. Há os fundues, pastéis de quermesse, chocolate quente... Todos alimentos que dão uma satisfação maior”, exemplifica.

Ao mesmo tempo em que o organismo trabalha mais, observa ela, os riscos de ganhar peso nessa época também são maiores. Eliane explica que há uma tendência ao exagero, justamente, pela fome maior.

Para evitar os quilos adicionais, a saída é buscar alimentos quentes, porém saudáveis. “A tendência é buscar alimentos quentes, que dão uma satisfação maior. A dica é optar pelas verduras refogadas, entre elas couve, brócolis, chicória, repolho ou acelga, junto a uma farofa de cenoura, cheiro verde e salsinha”, detalha.

A nutricionista reconhece que, com temperaturas amenas, é mais difícil encher o prato de verduras. Desta forma, o indicado é optar por legumes refogados, como a cenoura ou chuchu. “Mas também chega uma hora em que você não aguenta mais comer cenoura ou chuchu. “As sugestões são os suflês de legumes, pratos com ovos mexidos, farofa de banana”, elenca.

Saúde independe da estação do ano


De acordo com a endocrinologista Telma Gobbi, nos dias frios o mais importante é que seja mantida a constância na prática de atividades físicas e alimentação regrada. Segundo a especialista, a disciplina é algo que deve ocorrer o ano todo e enfocar a saúde como principal objetivo.  

“A atividade física não se dá em prol do corpo perfeito. Serve para melhorar as condições cardiocirculatórias do organismo, melhorar a parte esquelética e qualidade de vida”, especifica a médica. “Na verdade, não tem época para se cuidar. O importante é realizar a atividade com periodicidade e de forma adequada para  cada faixa etária, com respeito a eventuais limitações”, pondera.

Apesar da médica não diferenciar efeitos das dietas ou atividades físicas durante os meses de temperatura mais amenas, ela reconhece: é no descerrar das cortinas do inverno que a maioria das pessoas se preocupa com a boa forma física.

Segundo ela, apenas na clínica onde atende, o movimento de pacientes em busca de dietas aumenta cerca de 20% na iminência de temperatura subir.

“Acontece que, quando chega o verão, todo mundo quer exibir o corpo. No inverno, comemos mais e as roupas são mais pesadas, escondem mais eventual ganho de peso”, atribui.


Moderação


A médica também confirma a maior queima de calorias no organismo devido à manutenção da temperatura corpórea nos dias mais frios. Contudo, Telma ressalva: aumento no metabolismo não significa exagero à mesa. “No inverno a gente come mais”, endossa. “Mas é preciso entender que comer mais não significa abrir mão da moderação”, adverte.

Conforme a endocrinologista, não há como mensurar, de forma exata, o aumento da função metabólica no corpo humano. De acordo com a especialista, esse processo é extremamente particular, e varia muito de indivíduo para indivíduo. O mais importante, reitera a médica, é comer moderadamente e se exercitar, faça frio ou calor, chuva ou sol.

Caminhar é preciso...

É o que faz a dupla Marisa Gebara, 45, e Bruna Said, 29. Há dez meses, elas seguem firmes nas passadas durante as caminhadas na avenida Getúlio Vargas, tradicional reduto de esportistas, seja de veraneio ou do ano todo. Elas garantem que, independentemente ao clima, não desistem do objetivo. “Caminhamos forte há dez meses e continuamos empolgadas”, atesta a procuradora municipal Marisa. “Apenas quando chove a gente vai para a academia, um local fechado”, completa a psicóloga Bruna.

Ambas admitem a maior dificuldade em manter a boa forma nos dias mais frios, principalmente pelo aumento do apetite. “Temos que gastar energia porque a vontade de comer é maior”, acentua Marisa, entre largas passadas no início da noite de terça-feira, ao lado da pista do aeroclube.

Importante: quem pretende emagrecer com saúde é nunca partir para a atividade física de estômago vazio. “Caso haja atividade física em jejum prolongado, os açúcares necessários não estarão à disposição e risco de hipoglicemia (baixa concentração de glicose no sangue)”, orienta a endocrinologista Telma Gobbi. “Sempre é preciso comer algo, claro que um alimento leve”, acentua.

 

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