“Quem vier, de onde vier, que venha em paz”. Esta frase, que fica em um quadro da porta de entrada da Escola Estadual Vila Dutra, em Bauru, já mostra que o espaço de estudo também é lugar de... paz. E foi dentro da campanha da Diretoria Regional de Ensino “Diga não à violência nas escolas” - que tem apoio do JC - que 250 jovens do 5º ao 8º ano expressaram o que é a paz por desenhos coloridos, cartazes e até vídeos.
Casos de desordem e violência nas escolas em Bauru fizeram com que a dirigente regional de Ensino, Gina Sanchez, criasse um concurso de trabalhos entre os alunos. A ideia, era que, por meio de desenhos, cores e redações, fosse mostrado onde está o problema - e como solucioná-lo.
Na Escola Estadual Vila Dutra, a iniciativa foi surpreendente. Os jovens com idade média entre 12 e 16 anos se mostraram maduros e decididos a darem um basta na violência dentro do ambiente escolar.
Ao entrar na instituição de ensino, é fácil ver que o ambiente é respeitado: paredes limpas, professores ministrando suas aulas e as dezenas de trabalhos pela paz espalhados pelos corredores. As frases e ideias impressionam, como o dito “As mais lindas coisas da vida não podem ser vistas e nem tocadas, mas sim, sentidas pelo coração, como a paz, por exemplo”.
Os trabalhos foram motivando cada vez mais os docentes como Andréa Louzada Rios Ribeiro, que dá aulas de ciências e matemática, e Rosí de Nazaré Guedes Oliveira, professora de história.
“Nós deixamos livre para eles escolherem o que queriam fazer: desenhos, slogans, faixas, painéis, vídeo, poesias. Trouxemos até nossos notebooks para que pudessem pesquisar sobre o assunto e foi maravilhoso. Quando temos um projeto na escola, nos engajamos e eles também. Os alunos que estudam no período da tarde até vieram de manhã para ajudar”, disse Andréa.
Sem discriminar
Foi com esta frase que a estudante do 6º ano, Juliana Mahjuly Oliveira da Silva, 12 anos, expressou como “vê” a paz. Ela é a autora de um dos trabalhos mais bem elaborados de toda a turma. Um desenho colorido, com duas mãos, sendo uma negra e outra branca, e pedidos de paz.
“Eu pesquisei algo na internet, mas a ideia foi toda minha. A paz, para mim, é uma união, é não ter discriminações. Eu, por exemplo, tenho amigo cadeirante, e a maioria dos meus amigos são negros”, explicou a garota.
A estudante opina que se entristece ao ouvir notícias de violência nas escolas. “Eu fico muito triste e acredito que a minha escola tem paz. Gostei muito de fazer esse trabalho porque consegui mostrar mais as minhas ideias”, finalizou.
Além dos trabalhos, os alunos resolveram ainda fazer uma corrente pela paz e “abraçaram” a escola na terça-feira da semana passada.
“Foi muito bonito ver todos os alunos empenhados. Até o helicóptero Águia da Polícia Militar viu a nossa ação e ficou voando bem perto de nós. Os alunos ficaram eufóricos”, conta Andréa, mostrando um vídeo da ação.
Segredo?
“Endurecer sem perder a ternura”. Esta foi a frase alusiva ao revolucionário Che Guevara que as professoras Andréa Louzada Rio Ribeiro e Rosí de Nazaré Guedes Oliveira, usaram para explicar como ter paz dentro das escolas.
“Eles são responsáveis pelas atitudes. Se riscam uma carteira, chamamos os responsáveis e fazemos o aluno corrigir o erro. Fazemos de tudo para agradá-los também e isso acaba refletindo positivamente na sala de aula”, pontuou Rosí. O que as professoras dizem é visível na atitude dos alunos, que as abraçaram e beijaram espontaneamente enquanto a equipe do JC estava na escola.
Mais um caso de agressão
Apesar de toda a campanha pela paz, alguns casos de violência ainda ocorrem nas escolas de Bauru. Na última quinta-feira, conforme noticiado pelo JC, uma discussão entre duas adolescentes de 16 anos, que começou na internet, se tornou caso de polícia. De acordo o boletim de ocorrência (BO), além das duas jovens, familiares também se envolveram na briga e uma delas teria desmaiado depois das agressões.
Uma das garotas alegou que teria sido ameaçada de morte por meio da rede social e, em certo momento, as duas adolescentes acabaram se agredindo no pátio da escola, sendo contidas pela diretora.
O pai e a irmã de uma delas e a mãe de outra foram até a escola e, depois disso, a situação se agravou. De acordo com o BO, nervoso, o pai de uma das envolvidas teria invadido a sala da diretora e desferido socos e chutes na possível vítima. Porém, os familiares acusados alegam outra versão. Segundo eles, quem se envolveu na briga não foi o pai, mas sim a irmã de uma das adolescentes. O caso será investigado pela Polícia Civil.
Concurso
Conforme divulgado recentemente pelo JC, a campanha “Diga não à violência nas escolas” terminou na última semana. As cinco melhores redações serão premiadas e veiculadas pelo Jornal da Cidade. O vencedor do concurso ganhará um notebook, o 2º e 3º lugares bicicletas e os 4º e 5º lugares receberão rádios como prêmio.
Os cinco melhores desenhos ganharão kits de desenho e pintura para que sirvam de motivação para os alunos continuarem a desenvolver os talentos artísticos. A cerimônia de premiação acontecerá neste sábado na Escola Técnica Estadual (Etec) de Cabrália Paulista.